Verba para contratar consórcio para projeto executivo será liberada

Segundo governo, serão quase R$ 80 milhões nessa etapa; custo das obras civis para o trem-bala pode aumentar

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2013 | 02h02

Mesmo com o adiamento por prazo indefinido do leilão para a escolha do operador e da tecnologia do Trem de Alta Velocidade (TAV), o governo manterá o desembolso de quase R$ 80 milhões com a contratação do consórcio que vai cuidar do projeto executivo do trem-bala. E como o traçado da linha será "genérico", ou seja, compatível com qualquer modelo de trem que venha a ser escolhido no futuro, o custo das obras civis para a ligação entre Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro poderá aumentar.

Em julho, sete dos oito grupos que concorriam na escolha do gerenciador dos trabalhos do projeto executivo do trem-bala foram eliminados da disputa pela Empresa de Planejamento e Logística (EPL) por terem apresentado propostas que não estavam de acordo com o edital.

O único consórcio habilitado foi o liderado pela italiana Italferr em parceria com a brasileira Geodata, que apresentou um orçamento de R$ 77,3 milhões para um cronograma de 36 meses até a entrega do projeto.

Os outros sete grupos, no entanto, têm até amanhã para apresentarem recursos contra a eliminação do processo. Dois deles entregaram propostas com preços inferiores ao do consórcio italiano: R$ 74 milhões e R$ 75 milhões. As empresas alegam que os problemas identificados pela EPL se devem, principalmente, a falhas de tradução, que podem ser facilmente corrigidas.

Custo. Como o grupo vencedor precisará montar o projeto executivo do trem-bala no escuro, sem saber a tecnologia de trem que trafegará pela linha, a tendência é que o gasto com as obras civis que serão licitadas no começo de 2015 aumente ainda mais. Quando lançado, em 2009, o custo previsto pelo governo era de R$ 33 bilhões, mas as últimas estimativas já chegavam à casa dos R$ 38 bilhões.

Após a recusa do Senado Federal em aprovar a recondução de Bernardo Figueiredo ao cargo de diretor-geral da Agência Nacional de Transportes (ANTT) no ano passado, a presidente Dilma Rousseff criou a estatal EPL sob medida para que o seu braço direito na condução do trem-bala continuasse à frente das negociações para a viabilização do projeto.

Mas exatamente um ano após a constituição da empresa pública, o empreendimento foi adiado novamente, dessa vez, sem uma nova data para o leilão.

Em 12 meses de vida, a EPL não conseguiu realizar ainda nenhum leilão de infraestrutura para o Programa de Investimento e Logística (PIL). O primeiro está previsto para o dia 18 de setembro, para trechos rodoviários das BRs 050 e 262. / E.R. e A.W.

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