Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Verde Asset: governos Bolsonaro e Dilma são idênticos do ponto de vista econômico

Gestora afirmou em carta divulgada nesta terça que 'no final, são irmãos gêmeos, separados no nascimento'

Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2022 | 14h15

A Verde Asset Management, gestora que tem como sócio Luis Stuhlberger, vê o governo de Jair Bolsonaro e o da petista Dilma Rousseff, tão criticado pelo ex-capitão do Exército, idênticos do ponto de vista econômico. A avaliação, em carta publicada nesta terça-feira, é que o mandato do presidente atual chega ao fim "de maneira praticamente indistinguível" do governo de Dilma, em meio às propostas de desoneração, incluindo a dos combustíveis e da energia elétrica.

"No final, são irmãos gêmeos, separados no nascimento", afirma o economista-chefe da gestora, Daniel Leichsenring, que assina a carta, com o título "Terraplanismo econômico".

O argumento é que Bolsonaro, em seu último ano de mandato, está "recorrendo às piores práticas do governo petista, de um populismo eleitoreiro barato, totalmente irresponsável".

O fundo multimercado da Verde teve perdas no ano passado, a segunda anual de sua história, mas em janeiro conseguiu rentabilidade de 1,49%. O economista, aliás, diz que com a Bolsa em alta, dólar em queda, renda fixa rendendo bem e fluxo forte de estrangeiros - que marcaram o mês passado -, o mercado acaba não reagindo às propostas mais populistas de desoneração de Bolsonaro.

Por isso, a carta da Verde critica a série de desonerações adotadas por Bolsonaro e ressalta que o ministro da Economia, Paulo Guedes, tem ações convergentes com o então ministro da Fazenda do governo petista, Guido Mantega, "que gerou o maior desastre econômico de que se tem registro".

O argumento da Verde é que as associações e os grupos de interesse que pedem as desonerações agora, "não é surpresa, são os mesmos que clamaram pelas intervenções" do governo Dilma - fechamento da economia, incentivos, desonerações e redução forçada do custo de energia. "Em resumo, estão sempre dedicados a extrair o máximo de benefícios em causa própria."

"Todos se mobilizaram fortemente contra a reforma tributária ou redução de gasto tributário e incentivos, mas adoram um populismo fiscal que os contemple", afirma o economista. "Convém lembrar que quando o fiscal explodir, todos no barco afundarão."

Para Leichsenring, o caminho traçado pelo governo de Bolsonaro será "tão desastroso" na economia quanto o do governo petista. "Ainda há tempo para barrar essa proposta e de encontrar uma alternativa política viável para o Brasil", conclui a carta.

"Desastre"

A Verde avalia o governo de Bolsonaro como um "desastre" em praticamente todas as áreas de atuação, desde o atraso na vacinação contra covid, passando pela disseminação de notícias falsas sobre a pandemia à política econômica, com a quebra do teto de gastos. "No entanto, ao invés de rever, o governo acena com a aceleração dos erros. Começou com o 'meteoro', acabou com a destruição completa da credibilidade do Teto de Gastos e da Lei de Responsabilidade Fiscal."

Leichsenring critica ainda a tentativa de Bolsonaro, para recuperar popularidade, de buscar reduzir a tributação sobre os combustíveis e energia elétrica. Essa ideia ecoa medidas da dupla Dilma/Mantega e que não tiveram resultados favoráveis, argumenta o economista da Verde. "Basta lembrar que as políticas fiscais absolutamente irresponsáveis do período resultaram na mais severa e duradoura recessão da história do País."

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