Versão digital ajuda 'NYT' a voltar ao lucro

Jornal americano chega a 324 mil assinantes em sua versão online, para a qual começou a cobrar pelo acesso no início deste ano

NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2011 | 03h06

O desempenho da versão digital ajudou o grupo The New York Times Co., que edita o jornal de mesmo nome, a voltar ao lucro. No terceiro trimestre, o ganho líquido foi de US$ 15,7 milhões, o equivalente a US$ 0,10 por ação. No mesmo período do ano passado, o jornal havia registrado um prejuízo de US$ 4,26 milhões.

O resultado recebeu claramente um empurrão da versão digital do jornal, que registrou um aumento de mais de 40 mil assinantes no período. A receita de circulação, no total, aumentou 3,4%, principalmente por causa das assinaturas digitais, que estão em 324 mil.

"Nós fizemos um resultado significativo no desenvolvimento de uma robusta fonte de receita de assinatura digital", disse a presidente do grupo Times Co., Janet Robinson.

O resultado compensou a continuidade do recuo das receitas de publicidade. De julho a setembro, a receita de anúncios do jornal despencou 8,8%, ficando em US$ 262 milhões. Para o jornal, esse resultado demonstra os desafios a serem enfrentados num momento em que a economia americana se encontra estagnada. Isso acabou impactando na queda de 3,1% da receita total, que ficou em US$ 537,1 milhões.

O lucro líquido também foi beneficiado, de qualquer forma, pelos US$ 65,3 milhões de ganhos pré-impostos pela venda de mais da metade das ações da Fenway Sports Group, empresa detentora do Boston Red Sox, um time de beisebol do qual o grupo Times é sócio.

O New York Times começou a cobrar em março pelo acesso ao conteúdo de seu site, mais de um ano depois de anunciar que pretendia retomar esse tipo de cobrança. Esse é a terceira tentativa do jornal de conseguir aumentar suas receitas com o conteúdo digital. Além disso, o grupo New York Times Co. lançou esta semana uma opção de assinatura para a versão online de seu diário Boston Globe.

O New York Times cobra US$ 8,75 por semana do usuário para dar acesso ao conteúdo por computador, celular e tablet. Quem assina o jornal impresso não precisa desembolsar mais nada para ler a versão digital. Quem não quer pagar, tem acesso gratuito a 20 textos por mês. Se passar desse limite, o usuário só poderá ler as reportagens e artigos gratuitamente caso chegue ao texto por meio de outro site, como o Google, mas com um limite diário.

Conseguir viabilizar um modelo de negócios lucrativo nas plataformas digitais vem sendo um dos principais desafios encarados pelos grupos de mídia de todo o mundo. O bilionário Rupert Murdoch, dono do grupo News Corp. - que edita, entre outros, o Wall Street Journal, é um dos principais defensores da cobrança por conteúdo, que adota em vários de seus jornais. O jornal britânico Financial Times também adotou um modelo bem-sucedido, que dá aos leitores acesso a um número limitado de artigos por mês, antes de começar a cobrar. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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