Veto de Lula ao reajuste dos aposentados é criticado no Congresso

O veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao reajuste de 16,67% a aposentados e pensionistas caiu como uma bomba no Congresso. Os oposicionistas consideraram o veto uma injustiça e afirmaram que vão insistir no aumento. A crítica mais irônica foi feita pelo senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) que subiu à tribuna e comparou o presidente Lula à vilã da novela Belíssima da TV Globo, Bia Falcão, que era interpretada por Fernanda Montenegro. "Lula não é igual a Fernanda Montenegro, que é uma grande atriz. Ele é um mambembe travestido de presidente da República. Lula é igual a Bia Falcão porque a maldade é a mesma. Tanto é assim, que o presidente vetou o reajuste dos aposentados. A Bia Falcão que está instalada na presidência da República não permite o reajuste", afirmou ACM. O senador Paulo Paim (PT-RS), que sempre teve como bandeira a defesa de um salário mínimo maior e tem entre seu fiel eleitorado os aposentados e pensionistas, foi outro que criticou o veto do presidente Lula ao reajuste. No plenário do Senado, o petista defendeu a derrubada do veto presidencial. O aumento estava previsto em medida provisória aprovada na semana passada pelo Congresso. Em discurso, Paim fez um apelo para que os parlamentares aprovem a proposta com o aumento de 16,67%.Paim argumentou que os aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) "começaram a amargar prejuízos, no governo passado, com a criação do fator previdenciário para cálculo dos benefícios". As críticas mais ácidas ao veto presidencial vieram de representantes de partidos de oposição. "Os aposentados não têm um Paulo Okamotto para pagar suas contas, não", disse o líder do PFL no Senado, José Agripino Maia (RN), em discurso no plenário do Senado. Okamotto, que é presidente do Sebrae, foi tesoureiro de campanhas de Lula, é amigo pessoal do presidente e admitiu ter pago uma dívida de cerca de R$ 30 mil de Lula junto ao PT. O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) foi outro que reclamou do veto presidencial ao reajuste dos aposentados e pensionistas. Ele afirmou que o presidente Lula passa a idéia que tem dinheiro para todo mundo, mas, na hora de dar aumento para os idosos, não o faz. "Os aposentados já sofreram injustiças com a reforma da Previdência, que interessava ao governo e não para os aposentados. Agora, quando se trata da área social e do direito adquirido, o governo deixa de aplicar seu dever", disse o tucano. Ele defendeu também que a oposição insista na aprovação do reajuste de 16,67%. "Se tivermos a possibilidade de aumentar, faremos em nome da justiça", afirmou."O veto demonstra que este governo não está nem aí para os aposentados. Até parece que ser aposentado é castigo neste país. Eles são os grandes injustiçados. Não é possível que se trabalhe a vida inteira para receber um tratamento deste, principalmente por parte de um governo que apregoa aos quatro ventos que luta para atender ao social", criticou deputado federal Geraldo Thadeu (PPS-MG). Ele acrescentou que o governo alega não ter dinheiro para dar aumento aos aposentados, mas encontrou verbas para distribuir reajustes aos funcionários públicos.O líder do PMDB no Senado, Ney Suassuna (PB), saiu em defesa do governo. Ele argumentou que o veto ocorreu porque o presidente Lula tem a responsabilidade de cuidar da economia. O peemedebista acusou ainda o Congresso de fazer demagogia ao reclamar do veto presidencial. "O Congresso foi demagogo sem saber se tinha dinheiro. Todo mundo queria dar mais aumento, mas o governo é responsável e só pode dar 5%", disse Suassuna. A proposta do governo é dar reajuste de apenas 5% para os segurados que recebem acima de um salário mínimo.

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