Veuve Clicquot e muitas emoções

Convidados esperam três horas pelo 'rei'

Paulo Sampaio, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2011 | 00h00

Todas aquelas garrafas de Veuve Clicquot servidas anteontem, durante a estreia de Roberto Carlos no mercado imobiliário, sugeriam que o preço das unidades nos 40 andares do Horizontes Home & Office iria para as alturas. Quando, além de tudo, o rei, ele mesmo, surgiu no palco improvisado e cantarolou duas músicas (pela metade, mas tudo bem), então, nem mesmo os incorporadores sabiam dizer quanto valia o metro quadrado daquele pedaço da Avenida Juscelino Kubitschek, no Itaim.

"Não temos preço fechado ainda, as vendas começam só no final do mês", disse Cid Ferrari, sócio da incorporadora Toledo Ferrari, uma das três partes do empreendimento. Há indícios de que o preço da grife Roberto Carlos vai ser alto. Para dar uma ideia, Dudu, o filho do rei, afirmou que não tem "bala" para comprar um apartamento ali. "Isso não é pra mim, não."

Setecentas pessoas, segundo a assessoria da festa, circularam pelo estande. A quantidade de preenchimento em bocas e bochechas só não era maior que a impaciência das senhoras, que esperaram cerca de três horas, desde às 20h, pela aparição do rei. Ajudou-as a aplacar a ansiedade um bufê com quiches de espinafre, brioches de salmão, tartar de filé com mostarda de Dijon e, claro, queijo brie derretido.

Entre os vips, os mais vips desmentiam Cid Ferrari e afirmavam que já tinham adquirido sua unidade no Horizontes. "A minha tá comprada", garantiu a empresária Rosy Verdi, da Rodobens, "primeira concessionária Mercedes-Benz de São Paulo". Mas não disse quanto pagou.

Vítima assumida da "publicidade espontânea" que o nome do rei produz no lançamento, Rosy elucubrava: "Já imaginou acordar com o toc-toc do Roberto andando no apartamento de cima? Ou abrir a porta do elevador e dar de cara com Ele, cantando baixinho?" Pamela Domingues, auxiliar da limpeza, estava na mesma vibe: "Se o Roberto topar, faço uma foto com essa roupa mesmo (o uniforme)."

Por volta de 23h, o rei apareceu. Frenesi. Antes de cantar Além do Horizonte e Emoções, disse. "Na infância, sonhava em ser caminhoneiro, cantor ou arquiteto." No estande, os autores do projeto do apartamento decorado repetiam: "Ele deu muitos pitacos no projeto!" Parece que mandou pintar tudo de azul.

Depois do show, o cantor foi arrastado para uma entrevista coletiva no salão onde está a maquete. Com 5,40 m, ou cerca de três vezes a altura do rei, a miniatura custou R$ 200 mil. "Sessenta pessoas trabalharam durante 15 dias nela", disse o maqueteiro Fábio Fogassa.

Dois mastodônticos seguranças impediam alguns convidados e a imprensa de entrar. Os parentes rogavam: "Eu sou mãe do Ferrari!" "E eu, irmã do Toledo!" "Você não tá entendendo, ele é DONO do empreendimento", gritava uma "prima quase irmã" do Ferrari. "Amigo, eu sou o Ferrari." O segurança fazia uma expressão tipo: "E daí, mano?"

De repente, surgiu uma parente dos parentes do Roberto. Disse, com o olhar desafiador, que comprou a primeira unidade vendida. E que comprou do próprio Roberto. "É no sexto andar", completou Tetê Marques, que se apresenta como "prima dos filhos de RC por parte de mãe".

Luciana, a filha do rei, está ali ao lado. Diz que não pretende adquirir uma unidade nem se mudar para ali. "Agora que meu filhote nasceu, não vou caber aqui. Os apartamentos são menores do que eu preciso." O maior apartamento tem pouco mais de 100 m².

À saída, um grupo de modelos entrega aos convidados uma caixa azul turquesa contendo o CD do show ao vivo de RC no Pacaembu e um DVD das unidades decoradas. Alguém pergunta a um possessivo convidado, que abraça sua caixinha aferradamente, aonde ele a conseguiu. "Esse é meu", diz ele, sem responder à pergunta. Veuve Clicquot demais, às vezes, dá nisso.

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