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Viabilidade técnica é questionada desde 2003

Ferrovia teve muitos problemas desde início das obras; hoje, com preço do minério em baixa, o cenário está pior

Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

16 de outubro de 2016 | 06h00

Desde o início dos estudos para construção da ferrovia Transnordestina, os modelos matemáticos indicavam que o projeto não tinha viabilidade econômica no curto e médio prazos. Naquela época, por volta de 2003, a principal aposta era o minério de ferro e o agronegócio. Só essa carga, no entanto, não justificava a obra. A expectativa era que, com o desenvolvimento econômico e social da região, haveria um crescimento da carga a ser transportada pelos trilhos, afirma uma fonte que estudou o projeto. Hoje, com o preço do minério em baixa, o cenário para a ferrovia piorou ainda mais.

Outra falha que justifica o aumento do valor da obra foi a falta de um projeto executivo. “Numa obra desse tamanho, um solo mais duro ou com mais água influencia sensivelmente a parte civil”, afirma um executivo do setor, que prefere não se identificar. Além disso, o fato de passar por 80 cidades em três Estados diferentes dificultou ainda mais os processos burocráticos, como a desapropriação de área.

Só em 2006, quando as obras foram iniciadas, é que se teve a dimensão do trabalho que a empresa teria pela frente. Foi a partir daí que a CSN viu que a necessidade de dinheiro era bem maior que a prevista inicialmente e que precisava haver um rearranjo acionário para aumentar os aportes. Ao transferir o projeto para a siderúrgica, a administração federal prometeu financiamentos de bancos e órgãos públicos. Por esse motivo, a revisão do orçamento, pleiteada desde 2011, dependia do aval do governo. Na ocasião, todos os sócios decidiram aumentar o aporte no projeto até os R$ 7,5 bilhões, embora o orçamento já estivesse perto dos R$ 10 bilhões.

Mas os problemas não pararam por aí. Após resolver a questão orçamentária de curto prazo, a Transnordestina entrou numa briga com a Odebrecht, principal empreiteira responsável pela obra. A CSN, controladora do projeto, não concordava com algumas medidas adotadas pela construtora e decidiu tirá-la da obra, conta uma fonte próxima ao projeto. Uma nova empreiteira, a Civilport, foi contratada e, depois, também afastada. Nesse caso, a empresa entrou na Justiça contra a CSN.

O problema é que, a cada parada, o projeto foi ficando mais caro. “Se você fizer um corte num morro e não levar a obra adiante, quando retomar o serviço, terá de fazer tudo de novo”, afirma um executivo. O mesmo ocorria quando a Transnordestina decidia negociar um contrato de óleo diesel para abastecer a frota. Enquanto esse contrato não era finalizado, se o combustível tivesse acabado, as frentes de trabalho ficavam paradas, conta um ex-funcionário.

Apesar dos erros e problemas, especialistas afirmam que, no atual estágio, o melhor que o governo tem a fazer é concluir o projeto, nem que para isso seja obrigado a alongar ainda mais o cronograma de operação.

 

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