Viacom acusa Google de permitir vídeos ilegais no YouTube

Controladora de canais de TV a cabo alega que executivos do YouTube fazem vista grossa para material pirata no site

REUTERS, O Estadao de S.Paulo

20 de março de 2010 | 00h00

A Viacom acusou o Google de fechar os olhos a vídeos ilegais no site do YouTube, em um esforço para atrair audiência, de acordo com documentos judiciais divulgados ontem. A Viacom, empresa que controla as redes de TV a cabo MTV e Comedy Central, alegou, entre outras coisas, que executivos do Google e do YouTube estavam cientes de que vídeos estavam sendo postados ilegalmente no site, e nada faziam para impedi-lo. E, em certos casos, acusa a empresa, eles teriam violado a lei ao disponibilizar eles mesmos vídeos protegidos por direitos autorais.

"O YouTube foi construído intencionalmente sob a violação de direitos, e existem incontáveis comunicações internas da empresa demonstrando que os fundadores do YouTube e seus funcionários tinham por objetivo lucrar com essas violações", afirmou a Viacom em comunicado na quinta-feira, quando os documentos foram divulgados.

O Google rebateu a acusação alegando que os executivos da Viacom continuam enviando conteúdo sigilosamente para o YouTube, mesmo depois que a companhia de mídia abriu processo de US$ 1 bilhão contra o site por violação de direitos autorais, em 2007. Segundo o Google, a Viacom teria utilizado o site para promover sua programação de TV a cabo.

Mensagem suspeita. Como parte de suas provas, a Viacom apresentou trechos de e-mails trocados em 2005 entre os cofundadores do YouTube, Chad Hurley, Steve Chen e Jawed Karim, antes de vender o site para o Google. Os trechos sugerem que pelo menos um deles estava mais preocupado em abastecer o site com vídeos piratas do que em cumprir a lei.

Em mensagem de 19 de julho de 2005, por exemplo, Chen escreveu a Karim, com cópia para Hurley, que "teremos dificuldades para defender que não somos judicialmente responsáveis pelo material sob direitos autorais presente no site, alegando que não fomos nós que o subimos (postamos), quando um dos cofundadores rouba conteúdo abertamente de outros sites e tenta convencer a todos que o assistam".

Zahavah Levine, diretor jurídico do YouTube, afirma em post no blog da empresa que a petição da Viacom "interpreta de maneira isolada certos trechos de umas poucas mensagens de e-mail." O Google deve alegar que executivos da Viacom continuaram subindo material para o YouTube. "A Viacom muitas vezes deixou no site vídeos de seus programas subidos por usuários para o YouTube."

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