José Cruz/ Agência Brasil
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Viagem de Bolsonaro para a China é para mudar 'relação de clientela', diz secretário

Marcos Troyjo defende nova dinâmica com chineses e diz que Brasil tem “lição de casa” para entrar na OCDE

Beatriz Bulla, O Estado de S.Paulo

18 de outubro de 2019 | 15h17

WASHINGTON - O secretário de Comércio Exterior, Marcos Troyjo, disse que a viagem do presidente Jair Bolsonaro para a China deve servir para discutir oportunidades que tornem a dinâmica  entre os dois países mais do que uma “relação de clientela”. Ao sugerir que é equivocado dizer que há uma “parceria” entre as duas nações, ele afirmou que não existe uma interdependência do Brasil com a China e que é preciso buscar uma relação “pragmática” desde que com “respeito à soberania”. 

“Se você quer sair dessa relação de clientela para algo maior, então mais precisa estar na mesa, e discutir essas oportunidades é uma das razões para o presidente Bolsonaro ir para a China”, disse Troyjo. Segundo ele, o governo quer alcançar uma relação benéfica para os dois lados. “Queremos manter a soberania, queremos ser parceiros”, disse. “Às vezes usamos palavras que não necessariamente refletem a realidade. Às vezes usamos a palavra 'parceria' quando na realidade o que se tem é uma relação de cliente”, disse.

Bolsonaro embarca no sábado, 19, para viagem ao Japão e, de lá, seguirá para a China. O presidente adotou durante a campanha uma retórica inflamada sobre a relação comercial Brasil-China e chegou a dizer que os chineses estavam “comprando o Brasil”. A China é a principal parceira comercial do País. 

Troyjo mencionou a guerra comercial travada entre Estados Unidos e China durante a presidência de Donald Trump e citou a relação entre os dois países como de "interdependência". “A China é o principal destino do investimento estrangeiro direto americano. Os EUA são o principal destino do investimento estrangeiro direto chinês.  Se você quer usar o termo 'parceiro comercial', então os EUA são os principais parceiros comerciais da China e vice-versa. Há uma interdependência muito importante”, disse. “Nós não temos tanta interdependência com a China atualmente. Nós temos uma relação comercial. É verdade que o investimento chinês no Brasil está aumentando, mas ainda há bastante a percorrer”, disse.

O secretário representa o Brasil em Washington, na reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI), depois que o ministro da Economia, Paulo Guedes, cancelou na última hora sua participação. Na manhã desta sexta-feira, 18, Troyjo fez uma apresentação a investidores e empresários estrangeiros na Câmara de Comércio americana. A conversa foi intermediada por perguntas feitas por Donna Hrinak, presidente da Boeing para a América Latina e ex-embaixadora dos EUA no Brasil.

A executiva questionava Troyjo com boa parte do que tem sido dito nos bastidores por empresários americanos sobre a nova relação que o Brasil tenta estabelecer com os EUA. Durante a apresentação, Donna afirmou que “por anos se ouviu que o problema do Brasil é que o País não sabe o quer”. Além de questionar sobre a relação com a China, a executiva perguntou sobre as idas e vindas do apoio americano ao acesso do Brasil como membro da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE)

Trump prometeu, em março, que os EUA apoiariam o Brasil no pleito de ingresso no chamado clube dos ricos. O apoio continua, segundo as autoridades americanas, mas uma carta enviada pelo Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, ao secretário-geral da OCDE e revelada pela agência Bloomberg mostra que os americanos resistem a uma ampliação mais ampla da organização neste momento.

O secretário de Comércio Exterior minimizou os problemas e disse que “há um processo” na OCDE em curso, e admitiu que o Brasil precisão fazer "lição de casa" para acessar a organização. “Os EUA estão apoiando a entrada do Brasil [na OCDE], eles formalizaram isso no nível mais alto. Nós entendemos que isso é um processo, que há lição de casa que o Brasil precisa fazer, alguns processos que a OCDE precisa realizar. É um processo, e estamos felizes com como isso está andando e muito agradecidos pelo apoio dos EUA.”

O brasileiro também foi questionado sobre os obstáculos que o Brasil pode enfrentar no Congresso americano – que precisa avalizar um possível acordo de comércio entre os dois países. Desde a eleição de Bolsonaro, há um grupo de parlamentares democratas que questionam, com cartas à cúpula da administração Trump, políticas adotadas no Brasil, o que pode ser um problema para o governo brasileiro. Troyjo admitiu que é preciso que o governo se comunique melhor, mas minimizou a situação, ao dizer que é normal para um novo governo enfrentar desafios.

O governo brasileiro tem defendido a negociação de um “acordo amplo” com os americanos. Até agora, no entanto, não há perspectiva de que as negociações comerciais abarquem uma discussão tarifária – o que é considerado mais complexo e exigiria eventual discussão conjunta com o Mercosul. Os americanos têm deixado claro que há outras prioridades no momento, já que o escritório comercial dos EUA trava outras negociações consideradas prioritárias, como o desenho do acordo com a China. 

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