Viagem em alta VELOCIDADE

Criado em 2009 para atender os novos viajantes brasileiros, o site Viajanet multiplicou por sete o volume de vendas em três anos

NAYARA FRAGA , O Estado de S.Paulo

14 Janeiro 2013 | 02h05

E-ticket virou bilhete, gate passou a ser portão e check-in, balcão de atendimento. Foi assim, usando a linguagem compreendida por quem anda de ônibus, que os sócios Bob Rossato e Alex Todres decidiram criar a Viajanet, em 2009. Embalada por slogans como "Diga não ao busão. Viaje de avião", a agência de viagens online viu o número de funcionários subir de 50 para 390 entre 2010 e 2012. Nesse período, o valor que o site movimenta pulou de R$ 55 milhões para R$ 400 milhões. A maior parte do faturamento, não revelado pela empresa, vem dos R$ 40 cobrados a cada venda de bilhete aéreo.

A história da empresa tem origem na concorrência. Rossato, de 37 anos, e Todres, de 32, se conheceram na argentina Decolar, hoje líder de mercado no Brasil. Rossato, funcionário desde a época em que o bilhete era enviado por correio, era gerente corporativo e Todres, gerente de marketing. Em 2007, eles saíram do site para montar a agência Panamericano Viagens, do banco Panamericano, do Grupo Silvio Santos.

A promessa era usar a propaganda na TV, com o endosso de figuras como Gugu e Hebe, para tornar a agência conhecida. Mas a crise do banco, que começou logo depois, não deixou os planos saírem do papel. "O pessoal era mandado embora e nós íamos ficando", lembra Todres. Antes mesmo do rombo do Panamericano vir à tona e a instituição ser vendida para o BTG, os sócios decidiram partir para o próprio negócio.

Em um escritório de 40 metros quadrados no centro antigo de São Paulo, eles fundaram a Viajanet, unindo o conhecimento do modo como uma agência online funciona aos estudos sobre a classe C, foco da Panamericano Viagens.

Já no primeiro ano de vida da empresa, os fundadores começaram a ser assediados por investidores. A agência se beneficiou de uma prática muito comum entre os fundos de investimento: eles monitoram o tráfego na internet e quando um site apresenta aumento significativo nos acessos, investigam se há oportunidade.

No caso da Viajanet, havia. A empresa surgiu num momento em que a demanda por viagens no Brasil explodiu. Além disso, Rossato e Todres conseguiram desenvolver uma ferramenta de pesquisa simples, acessível à classe C, que foi quem mais contribuiu com o crescimento da demanda nos últimos anos.

O primeiro aporte veio do fundo Investment Travel Technology, de um grupo de brasileiros, que desembolsou R$ 4 milhões. Depois, chegou o dinheiro do espanhol IG Expansión. Em 2011, a startup, como são chamadas empresas em estágio inicial, recebeu US$ 19 milhões dos fundos americanos Redpoint Ventures e General Catalyst - esse último conhecido pelo aporte que fez no Kayak, agência de viagens online que foi comprada pela Priceline, líder desse segmento nos Estados Unidos. "Foi um caminho natural investir numa agência de viagens online no Brasil", diz Jeff Brody, sócio-fundador do Redpoint Ventures. "A classe média do País está crescendo e o acesso à internet também."

Segundo o Ibope Media, 25 milhões de pessoas visitaram sites de turismo no Brasil em dezembro de 2012. Três anos antes, foram 16 milhões. E ainda há muito o que crescer por aqui. De acordo com dados da consultoria internacional PhocusWright, em países desenvolvidos, a venda de viagens por meio de agências online representa cerca de 35% do mercado total. Em países emergentes, esse porcentual é inferior a 15%.

É natural que um mercado com tanto potencial de crescimento seja cobiçado também por grandes competidores internacionais. Em outubro de 2012, desembarcou no Brasil uma das maiores agências online do mundo, a americana Expedia. "Em até cinco anos queremos faturar US$ 1 bilhão no Brasil", diz Sean Shannon, vice-presidente da empresa para a América Latina.

Diante da concorrência, a Viajanet teve de se mexer. O dinheiro dos investidores está sendo usado principalmente para intensificar a publicidade no Google e nas novas contratações. Entre os executivos recém-chegados à Viajanet está Paulo Nascimento, ex-vice-presidente comercial da Azul. Há pouco mais de um mês, ele assumiu o cargo de presidente da agência online. Outro nome importante que passou a compor os quadros da empresa é o do espanhol Pablo Vega, ex-diretor do Grupo Odigeo, que é um dos mais relevantes da Europa na venda de viagens online.

Recentemente, a empresa também fechou uma série de parcerias. Com a Bookgin.com, oferece reservas em hotéis e, com a CVC, pacotes de viagens. A Saraiva também passou a vender bilhetes aéreos usando a infraestrutura da Viajanet. "Essas parcerias são muito saudáveis para o setor e para as empresas", diz o vice-presidente da Associação Brasileira das Agências de Viagem (Abav), Edmar Bull.

Futuro. Agora, Rossato e Todres preparam a companhia para uma nova rodada de investimentos ainda no primeiro semestre. Com escritórios na Venezuela e no México, a empresa pretende neste ano dobrar a quantia movimentada no site e aumentar em 30% o número de empregados. Os sócios garantem que "falta muito pouco" para alcançar o Decolar.com.

Estimativas de mercado sugerem que a argentina responda por uma fatia de 60% do setor de agências de viagem online. No Facebook, no entanto, a Viajanet sai ganhando: tem 1,5 milhão de fãs, contra 1 milhão do Decolar. Apesar da popularidade, a empresa admite que ainda não conseguiu ter lucro nas suas operações - o que é a grande expectativa de seus investidores.

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