Viagens corporativas movimentaram R$ 31 bi em 2007

Considerado o terceiro maior gasto das empresas - atrás apenas da folha de pagamento e tecnologia - e responsável por 60% de todo o turismo doméstico e internacional no Brasil, as viagens corporativas movimentaram R$ 30,9 bilhões em todo o País no ano passado. Esse montante inclui hospedagem, transporte aéreo e locação de automóveis e representa um crescimento de 2% em relação a 2006.Os dados foram obtidos por meio de uma pesquisa realizada pela USP, por encomenda da Associação Brasileira de Gestores de Viagens Corporativas (ABGEV), Fórum das Agências de Viagens Especializadas em Contas Comerciais (FAVECC), Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB) e Associação das Empresas Administradoras de Viagens e Negócios do Brasil (TMS Brasil).Apesar do crescimento, o resultado foi considerado "pífio" pelas entidades. O motivo é a crise pela qual passa o setor aéreo brasileiro, que sofre com o aumento de demanda associado à falta de investimentos de infra-estrutura. "Entre 2005 e 2006, o setor aéreo perdeu 7,5% de sua receita. Pelo menos 4,5 pontos porcentuais dessa retração estão relacionados ao caos aéreo", disse o professor de Turismo da USP, Hildemar Brasil, responsável pela pesquisa.Os prestadores de serviços de hospedagem, transporte aéreo e locação de automóveis faturaram R$ 27,52 bilhões em 2007. Deste total, 59,4%, ou R$ 16,35 milhões, foram provenientes do segmento de viagens corporativas. Para 2008, o setor espera que a receita do segmento de viagens corporativas aumente 5,69% e atinja R$ 17,28 bilhões. Segundo dados da pesquisa, enquanto o turista tradicional gasta US$ 79 por dia, o turista que viaja a negócio gasta US$ 158 diários.Segundo a presidente da ABGEV, Viviánne Martins, embora represente a maior fatia do turismo brasileiro, as viagens corporativas não têm a mesma atenção do governo que o turismo tradicional. "Existe no governo uma falta de entendimento e de reconhecimento sobre as viagens corporativas. A viagem corporativa é muito mais que turismo. O executivo não pode simplesmente adiar sua viagem caso o movimento esteja alto. Ele viaja o ano todo", declarou.Ainda sobre as viagens corporativas, o professor Brasil acrescentou: "Eu diria até que utilizar o termo turismo corporativo é errado." Além das críticas à falta de infra-estrutura aeroportuária, as entidades lembraram as dificuldades para fazer ou renovar o passaporte e a falta de interesse do Ministério do Turismo no segmento de viagens corporativas.

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