Viagra perde a patente e ganha concorrentes mais baratos

Pelo menos dez laboratórios já se preparam para lançar produtos similares com o mesmo princípio ativo

21 de junho de 2013 | 13h24

SÃO PAULO - Termina neste sábado, 22, a patente do Sildenafila, princípio ativo do Viagra, um dos remédios mais famosos da história da indústria farmacêutica mundial, pela sua capacidade de prolongar a qualidade de vida de homens e mulheres.

Só no ano passado, a Pfizer faturou mais de US$ 2 bilhões com a venda das inconfundíveis pastilhas azuis que aliviam complexos problemas sexuais de milhões de homens no mundo inteiro.

A partir da semana que vem, qualquer laboratório poderá fabricar medicamentos com o mesmo princípio ativo que garante o sucesso do Viagra, informou o jornal espanhol El País.

A Sildenafila demonstrou grande eficácia para solucionar problemas de disfunção erétil, que afetam cerca de 10% dos homens em geral, e mais de 50% dos idosos.

Entre os laboratórios interessados estão a Kern Pharma, Actavis Cinfa, Normon, Ratiopharm, Sandoz, Tecnimede, Teva Pharma, Mabo Farma, Q Pharma, Germed Farmacéutica, Farmalíder, Apotex e GP-Pharm, informa o jornal espanhol.

No Brasil, a patente do Viagra já caiu em abril de 2010, por decisão do STJ, que aceitou recurso do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi).

Nas farmácias brasileiras, uma caíxa de Viagra 25mg com quatro comprimidos custa R$ 70,75, mas algumas drogarias online anunciam a caixa por R$ 55,00. O genérico da Medley ou da EMS sai por R$ 30,00.

O El País diz que o produto ainda é caro na Espanha. Cada comprimido custa 15 euros, o equivalente a R$ 44,65. Segundo o jornal, a situação começa a mudar nos próximos dias, com a chegada de similares mais baratos com o mesmo princípio ativo. O jornal afirma que a queda do preço poderia chegar a 40%, 'numa estimativa conservadora'. O cálculo é de Luis Rodríguez Cuerda, diretor geral da Associação Espanhola de Medicamentos Genéricos.

Fontes de laboratórios disseram ao jornal que, a médio prazo, a queda pode ser muito maior, como ocorreu no México em novembro do ano passado.

Uma consequência do fim da patente e barateamento do remédio deve ser a redução significativa da venda ilegal pela internet e também dos falsos comprimidos de Viagra vendidos a preços mais baratos.

Expansão acelerada

Segundo a Pfizer, desde a sua origem o Viagra tem sido um dos medicamentos mais usados na história. Com mais de 1,8 bilhão de comprimidos vendidos no mundo.

Ele foi receitado mais de 223 milhões de vezes para pelo menos 37 milhões de homens. Na Espanha, desde 1998 foram emitidas mais de sete milhões de receitas  e foram vendidos 34 milhões de comprimidos.

Em 2012, as vendas mundiais do Viagra com oito milhões de receitas renderam U$ 2 bilhões ao fabricantes. O medicamento foi o sexto mais vendido no mundo.

Na Espanha, a liderança do Viagra é disputado pela Cialis e Lilly e, em menor medida, com o Levitra da Bayer.

Diferentemente do que tem feito em outros países, como a Alemanha, a Pfizer não tem planos de lançar seu próprio genérico do Viagra de baixo custo na Espanha, disse o El País.

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