Viagra terá venda direta da Pfizer para combater pirataria

Viagra terá venda direta da Pfizer para combater pirataria

Empresa investe em estratégia para enfrentar imitações e timidez de pacientes na hora da compra

The New York Times,

07 de maio de 2013 | 13h03

NOVA YORK - O laboratório Pfizer anunciou a decisão de investir nas vendas do seu medicamento para disfunção erétil Viagra para os consumidores em seu site, em um esforço para ampliar as vendas on-line.

A iniciativa tem por objetivo enfrentar o mercado paralelo de produtos clandestinos e garantir o crescimento das vendas do popular comprimido azul, considerado um dos medicamentos mais falsificados do mundo.

A empresa informou que faturou mais de US $ 2 bilhões em 2012 -, mas especialistas estimam que a Pfizer pode estar perdendo centenas de milhões de dólares por ano para o mercado negro na internet.

O mercado de produtos falsificados é favorecido pela vergonha que muitos consumidores tem de comprar o remédio no balcão das farmácias.

A partir de segunda-feira, o portal da Pfizer vai permitir aos consumidores americanos a compra por meio  de um novo site onde a frase "Compre Viagra real" aparece com destaque.

Os pacientes ainda precisam de receita médica, mas os tímidos serão poupados da viagem adicional até a farmácia.

Se o movimento da Pfizer for bem sucedido, outros laboratócios poderão seguir o mesmo caminho para vender produtos que podem causar constrangimento na hora da compra, inclusive os produtos para emagrecimento.

"Isso pode ser o prelúdio de um vasto número de produtos", disse o especialista em medicamentos falsificados Roger Bate, do instituto American Enterprise.

Victor Clavelli, executivo de marketing da Pfizer, cujo portfólio inclui Viagra, disse o objetivo do laboratório é apenas garantir que os consumidores tenham acesso ao verdadeiro Viagra.

Desde que o medicamento chegou ao mercado, em 1998, a Pfizer tem procurado minimizar o estigma em torno da impotência masculina - rebatizada como disfunção erétil.

A empresa contratou celebridades como o ex-candidato presidencial republicano Bob Dole para incentivar os homens a ter uma conversa com os médicos a respeito do comprimido azul.

Mas, mesmo com a extensa fila de homens buscando consultórios, muitos buscam fazer a compra no mercado negro para não passar recibo de impotência na hora da compra.

Pílulas de dieta para mulheres e medicamentos de disfunção erétil para os homens são a maioria dos medicamentos procurados online, segundo a Pfizer.

Matthew J. Bassiur, vice-presidente da Pfizer Global Security, disse em um comunicado que a empresa encontrou medicamentos falsificados fabricados em laboratórios com "deploráveis condições".

Ele acrescentou que as amostras de Viagra falsificado testado por laboratórios Pfizer continham pesticidas, gesso, tinta comum e até de impressora.

"Estas descobertas nos motivam a continuar o nosso esforço mundial para deter os riscos para os pacientes desavisados", disse.

A Pfizer disse que fez uma pesquisa em 2011 com Viagra comprado em 22 sites que aparecem nos resultados de busca na internet com a frase "comprar Viagra". As análises químicas descobriram que cerca de 80% dos comprimidos foram falsificados.

Os comprimidos de Viagra falso continha apenas cerca de 30% a 50% do ingrediente ativo, o citrato de sildenafil, em comparação.

Nem todos os medicamentos comprados on-line são falsos. Muitas farmácias, em diversos países, exigem receita médica e vender versões válidas de drogas. O problema é que é difícil para os consumidores a distinguir as farmácias legítimas das ilícitas. O preço médio do Viagra é de cerca de US$ 22 por comprimido, enquanto muitas farmácias on-line vendem o produto por cerca de US$ 10.

O Viagra tem cerca de 49% do mercado para tratamentos de disfunção sexual, seguido pelo Cialis, que detém 39,7% e o Levitra, com 8,6%, de acordo com o IMS Health.

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