Viajar na Argentina transformou-se em Odisséia

Passageiros têm que enfrentar greve, neblina, fumaça de queimadas e cinzas de vulcão

Ariel Palácios, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2008 | 16h55

Tal como no poema épico grego Odisséia, onde o protagonista Ulisses passa um longo tempo tentando chegar no lugar de destino, viajar na Argentina nos últimos meses também transformou-se em uma epopéia. Para poder chegar a seu destino, seja no exterior ou dentro do país, os passageiros devem enfrentar greves de pilotos e aeromoças, além dos controladores aéreos; neblina, fumaça de queimadas e até as cinzas de vulcões situados do outro lado da fronteira.   Veja também: 'Não há solução mágica para crise', diz Aerolíneas Caos aéreo argentino frustra passageiros em aeroporto no Rio Vôos da Aerolíneas continuam com atrasos de mais de uma hora Itamaraty presta atendimento a brasileiros em Buenos Aires Brasileiros reclamam de serviço de companhia aérea argentina Desde dezembro do ano passado até o final deste verão, a Argentina foi assolado por uma seqüência de greves de pilotos e aeromoças. Para complicar, uma forte neblina nos dois aeroportos de Buenos Aires - fenômeno climático pouco freqüente no passado - causou o cancelamento de centenas de vôos. Ocasionalmente também ocorrem inconvenientes com o sistema de radares de Ezeiza, além de falhas no sistema de controle, considerado "antiquado" pelos próprios trabalhadores.Milhares de turistas também ficaram sentados durante horas a fio nas salas de espera entre março e abril, quando os aeroportos de Ezeiza e Aeroparque foram atingidos pela fumaça das queimadas na área rural perto da capital. Em maio foi a vez das cinzas do Chaitén, que espalharam-se por todo o sul da Argentina, interrompendo o trânsito aéreo.Há poucos dias, mais de 5 mil turistas brasileiros que partiam de Bariloche, no sul do país, tiveram que viajar por terra 460 quilômetros até a cidade de Neuquén para tomar os vôos de volta ao Brasil. A mudança do ponto de retorno foi provocada pelo alerta do Serviço Meteorológico Nacional de Bariloche, que indicou que uma nuvem de cinzas provenientes do Chaitén aproximavam-se da cidade. Mas, horas depois, descobriu-se que prognóstico fora errado, já que em vez de cinzas a nuvem escura não passava de fumaça.

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