André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Vice-líder do governo apela a Temer para adiar reforma da previdência

Para Rogério Rosso, do PSD, medida está cada vez mais longe de ser aprovada e insistência com votação é 'desserviço'

Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

01 Fevereiro 2018 | 17h48

BRASÍLIA - Um dos vice-líderes do governo na Câmara, o deputado Rogério Rosso (PSD-DF), diz que fez um apelo ao presidente Michel Temer para adiar a votação da reforma da previdência e não marcar nova data. Para Rosso, se a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) for colocada em votação no dia 19 de fevereiro será derrotada e o País perderá a oportunidade de tratar do tema. "A Previdência está cada vez mais longe de ser aprovada", concluiu.

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Rosso, cuja base do eleitorado é de servidores públicos, se colocou na linha de frente para negociar com o governo propostas de interesse das categorias do funcionalismo na reforma. O deputado disse que o governo não chegará "em nenhuma hipótese" aos 308 votos necessários para aprovar a PEC em dois turnos e que faltam muito mais do que os 50 votos que o governo admite. Nas contas de Rosso, os governistas têm no máximo 240 votos.

Para Rosso, a insistência do governo com a votação da PEC é um "desserviço" ao País. Ele reclamou do "tensionamento" que a proposta causa e disse que o adiamento pode distensionar a base aliada. O deputado reclamou da "abordagem" dos auxiliares diretos de Temer e disse que o grupo próximo do presidente da República resiste às mudanças no texto.

De acordo com o vice-líder, Temer compreende as dificuldades, mas está "obstinado" pelo assunto por acreditar que não pode desperdiçar a oportunidade de votar o tema agora. Rosso afirmou que Temer sinalizou que não colocará a PEC em votação sob risco de derrota. "Imagine o comportamento do mercado (financeiro) se a Previdência não for aprovada?", comentou.

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Em entrevista coletiva, Rosso disse que os servidores querem discutir no texto a regra de transição, pensão por morte e tratamento especial para profissionais que atuam em atividade de risco, como policiais. O parlamentar afirmou que o texto proposto pelo governo não convenceu a maioria da população e a campanha do governo contra os "privilegiados" colocou "brasileiro contra brasileiro". "Fiz um apelo para parar a campanha do privilegiado. Generalizar que todo servidor é privilegiado não é verdade", criticou.

 

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