Paulo Pinto/AE
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Vídeo via internet ameaça TV por assinatura, afirma consultor

Consumidores começam a questionar pagamento de mensalidade por causa de serviços de televisão via banda larga

Renato Cruz, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2011 | 00h00

Antes de se tornar líder global da divisão de mídia do Boston Consulting Group (BCG), John Rose foi, durante três anos, vice-presidente executivo da EMI. Na gravadora, acompanhou de perto o impacto de serviços como Napster e Kazaa na indústria da música. Agora, como consultor, trata das mudanças da distribuição digital em meios como jornais, revistas e televisão.

Na visão de Rose, a distribuição de conteúdo via internet não matará a indústria de TV como fez com a da música. "Mas a resposta não é tão simples", disse o consultor. "O problema com o Napster e o Kazaa era que o único modelo de negócios das gravadoras era vender música para consumidores que, de repente, começaram a conseguir as canções de graça."

Na televisão, o cenário é diferente. "A maior parte do conteúdo da televisão é suportado por publicidade", explicou. "O consumidor não paga." Rose considera razoável pensar que a publicidade continuará a sustentar as redes de televisão num ambiente de vídeo via internet. "A grande questão é quanto as pessoas estarão dispostas a pagar por um serviço de TV por assinatura."

O modelo de distribuição de vídeos via banda larga direto para o aparelho de televisão é chamado de "over the top". Atualmente, televisores, leitores de Blu-ray e consoles de videogame conseguem receber vídeos da rede e mostrá-los no televisor.

Pesquisas feitas pelo BCG mostraram que um grupo de consumidores prefere até ligar o computador diretamente na televisão. Esse espectador normalmente está na faixa dos 20 anos, tem conhecimento técnico mais sofisticado e acabou de montar sua casa. "Não é uma questão de renda", disse Rose. "Existem banqueiros de investimento que compram televisores de telas planas de 60 polegadas e optam por não assinar TV paga."

Tablets. Nos EUA, as pessoas costumam falar em "dólares tradicionais e centavos digitais" para retratar a diferença de receita entre os meios tradicionais e a internet. Para Rose, os tablets podem resolver esse problema para jornais e revistas.

"Ler um jornal ou uma revista é uma experiência de mídia", disse. "Conseguir a informação de um site não é uma experiência de mídia, é uma experiência de informação. Num site, o conteúdo é infinito, então o leitor vai direto ao que quer. O tempo que a pessoa gasta com um jornal ou revista cai para um décimo ou um centésimo quando ela visita um site."

Já o tempo que alguém gasta com uma revista ou jornal num tablet é comparável ao que gasta com a edição física, segundo Rose. "Como o tempo de leitura num site é de três minutos, os anúncios custam centavos. Se a experiência voltar para 50 minutos ou uma hora no tablet, será possível fazer dinheiro."

Assinatura digital

O jornal The New York Times informou ter conseguido 100 mil assinantes digitais, desde que, há três semanas, começou a cobrar por conteúdo em seu site, tablets e smartphones.

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