Videocassete ainda sobrevive ao DVD

Mesmo com a ascensão do DVD, o tradicional videocassete terá vida útil por muitos anos no Brasil. Vários fatores vão contribuir para a preservação da mídia analógica, levando a maioria dos fabricantes a manter a produção de vídeos. O legado das fitas VHS, por exemplo, ainda é muito grande nas mais de 13 mil locadoras do País.Na cadeia Blockbuster, que tem 85 lojas, há uma locação diária de seis fitas tradicionais para quatro DVDs. O vídeo reproduz também as fitas domésticas gravadas pelas filmadoras VHS.O gerente de produto da LG Electronics, Marcelo Granja, estima que há pelo menos dois milhões de filmadoras em uso no País. "Cerca de 100 mil unidades são vendidas por ano, fora o mercado ilegal", calcula Granja. A LG é uma das empresas que manteve a produção de vídeos na fábrica de Manaus.Vídeo gravaUma prova de que o grupo confia na convivência das duas tecnologias é o modelo "Combi" lançado em janeiro na Coréia, que incorpora DVD e videocassete, por US$ 430. "O vídeo ainda tem o diferencial de gravar", diz o gerente da LG. O novo produto deve chegar ao Brasil ainda este ano, mas o preço não está definido.A Gradiente, líder no setor, vai investir na venda dos DVD Home Theater, lançados no final do ano. Os aparelhos de DVD mais baratos custam em torno de R$ 490. Mas há diversos modelos com recursos extras, cujo preço supera os R$ 3 mil. O DVD com TV portátil da LG, por exemplo, lançado no final do ano passado, custa R$ 3.599 nas lojas. O custo, entretanto, deve cair a partir de março. A empresa planeja investir na produção em massa do equipamento, que pode ser carregado para qualquer lugar.Outra vantagem do videocassete é o grande apelo entre as classes populares. Na rede Casas Bahia, por exemplo, que tem mais de 300 lojas espalhadas pelo País e serve prioritariamente as classes C, D e E, a venda de vídeos supera a de DVDs, o que não ocorre em outras redes de varejo. "O DVD ainda é um produto da classe A", avalia Granja, para quem a nova tecnologia só começa agora a chegar à classe B.100%Segundo ele, o número de casas com DVDs não chega a 1 milhão. A previsão é de que até o final do ano haja 2 milhões de unidades em operação. "Se considerarmos 45 milhões de casas no País, ainda é muito pequena a entrada do DVD no mercado", diz Granja.A indústria de entretenimento amplia a oferta de filmes em DVD e os fabricantes do aparelho comemoram. Quanto maior o número de títulos nas locadoras, maior o estímulo à compra dos equipamentos. Segundo a Associação Brasileira de Vídeo, as 14 distribuidoras filiadas à entidade prevêem o lançamento de 800 títulos em DVDs, com um volume de vendas de 4 milhões de cópias. No ano passado, foram 674 filmes, e 2,9 milhões de unidades vendidas. "O que puxa as vendas do DVD são os novos filmes", confirma Paulo Ferraz, diretor da Philips do Brasil, que já deixou de fabricar videocassetes para concentrar esforços na nova tecnologia.DVD que gravaA empresa já tem até um novo modelo para incrementar as vendas este ano. Vai colocar no mercado em meados do ano um DVD que grava filmes. A indústria prevê a venda de mais de 1 milhão de equipamentos este ano, contra 750 mil em 2000.Enquanto a produção de filmes em DVD aumenta, a confecção de títulos em VHS recua. As principais distribuidoras vão colocar 485 filmes no mercado, que devem gerar um volume de pedidos de 2,5 milhões de unidades das fitas convencionais.O DVD já tinha ultrapassado o VHS no ano passado, quando foram lançados 674 títulos em mídia digital e 485 na fita tradicional. Em 2000, essa divisão era praticamente igual, com 493 DVDs e 500 filmes em VHS. O volume de pedidos das 13 mil locadoras cadastradas, entretanto, foi semelhante entre as duas tecnologias no ano passado. Foram 2,9 milhões de unidades de fitas em VHS em 2001, contra 2,97 milhões em DVD.Uma feira específica para o setor deve movimentar ainda mais o setor. Distribuidoras de filmes e fabricantes de acessórios devem participar de um evento ainda este ano, em São Paulo, para mostrar as novidades em DVD. A data ainda não foi confirmada, mas a feira deve ser realizada na metade do ano.Para ler mais sobre eletroeletrônicos, acesse o portal de Comércio e Serviços do no endereço , o serviço da Agência Estado voltado para o segmento empresarial.

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