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Viés de baixa nos EUA ajuda AL, diz Bear Stearns

Mais do que a redução da taxa dos Fed Funds em 50 pontos-base e do viés de baixa, os economistas e analistas dedicados à América Latina em Wall Street comemoraram o comunicado do Fed. Para o mercado em Nova York, o Fed deu pistas de que haverá em breve outro corte nas taxas de juros norte-americanas, provavelmente de 50 pontos-base, até a próxima reunião da autoridade monetária dos EUA, marcada para 20 de março. "Essa redução anunciada hoje na taxa de juros já era esperada, porém dá mais sustentação à recuperação dos mercados latino-americanos, que tomou fôlego desde que o Fed começou a afrouxar sua política monetária", disse à Agência Estado Tim Kearney, economista chefe para América Latina do banco Bear Stearns. Segundo Kearney, um novo corte dos juros de 50 pontos-base nas próximas semanas vai ter três impactos para a América Latina. "Primeiro, a deflação observada nos preços das commodities será interrompida, ou seja, o preço das commodities irá se estabilizar, o que é bom para os países da região", explicou. Global - "Depois, outra redução nos juros nos Estados Unidos deverá ajudar a economia norte-americana, evitando uma forte redução da atividade econômica global. E, por fim, com a redução na taxa de juros nos Estados Unidos e uma perspectiva melhor da economia mundial, os investidores estarão mais dispostos a assumirem mais riscos. Ou seja, haverá mais fluxo de recursos para as bolsas de valores e títulos de renda fixa da América Latina", afirmou Kearney. Para ele, como o Banco Central brasileiro vem reduzindo a taxa Selic rapidamente nas últimas semanas, novos cortes vão depender do que acontecerá com a cotação do real nas próximas duas semanas. "Espero os juros continuarem sua trajetória de queda, mas não necessariamente de imediato", afirmou. Brasil e Argentina - Na opinião do economista chefe para América Latina do Paribas, Rafael De La Fuente, a redução anunciada hoje da taxa de juros nos Estados Unidos vai dar maior suporte para uma tendência de alta dos mercados latino-americanos. "De imediato, não deverá haver uma reação muito forte, pois os mercados já haviam descontado um corte de 50 pontos-base, mas a decisão do Fed dá um tom positivo para as bolsas e os papéis de renda fixa para a região", afirmou De La Fuente. Ele espera, como consequência da medida do Fed, cortes nas taxas de juros por parte dos vários bancos centrais da América Latina. O economista do Paribas projeta para o Brasil uma taxa Selic no final do ano por volta de 14%. "Os juros no Brasil devem continuar caindo, especialmente porque a inflação caminha numa direção muito positiva", disse De La Fuente, cuja estimativa de inflação brasileira para este ano é de 4%. Outro fator positivo da redução nos juros norte-americanos, segundo ele, é o aumento no fluxo de recursos para as ações e o mercado de renda fixa na região. Entre os países que mais vão se beneficiar da decisão do Fed, explicou o economista do Paribas, estão a Argentina e o Brasil.

Agencia Estado,

31 de janeiro de 2001 | 18h59

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