Viés protecionista de pacote EUA não é bom sinal, diz Amorim

'O protecionismo é talvez a doença mais contagiosa que existe', afirma ministro das Relações Exteriores em Davos

Daniela Milanese, da Agência Estado,

30 de janeiro de 2009 | 11h56

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou que o viés protecionista de medidas existentes no pacote de estímulo dos Estados Unidos, já aprovado pela Câmara, "não é um bom sinal". Ele lembrou que o plano ainda precisa ser aprovado no Senado e, depois, o presidente Barack Obama terá a oportunidade de veto - o que não seria fácil neste momento, reconhece o ministro. Veja também:UE e China concordam em evitar protecionismo durante a crisePaíses não devem recorrer ao protecionismo, diz BrownSenado dos EUA quer plano ainda mais protecionistaDe olho nos sintomas da crise econômica Dicionário da crise Lições de 29Como o mundo reage à crise  "Por outro lado, ficamos encorajados quando o presidente Obama, falando com Lula, declarou que a Rodada Doha é importante e precisa ser finalizada", disse. "As duas coisas não vão no mesmo sentido, os aspectos terão de ser esclarecidos." Para ele, será preciso fazer "um certo lobby", não somente pelo Brasil mas também por outros países. Amorim disse esperar que a visão multilateralista de Obama prevaleça neste momento. "Espero que ele ouça os outros nesse aspecto também", afirmou em entrevista em Davos. "Como a esperança venceu o medo, é preciso que a coragem também vença."  Ele reconhece que, em momentos de dificuldades econômicas, o risco de protecionismo aumenta. "O protecionismo é talvez a doença mais contagiosa que existe", alertou. No entanto, Amorim avalia que é justamente nas situações de dificuldade econômica que se precisa de mais medidas para impedir o caminho do protecionismo. O risco do protecionismo surgiu como um dos principais temas do evento neste ano em meio à estratégia "Buy American" (compre produtos norte-americanos, em tradução livre) do pacote de estímulo US$ 825 bilhões de Obama, que proibiria aço produzido em outros países em projetos de infraestrutura nos Estados Unidos.  Também em Davos, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, alertou nesta sexta que os países não devem recorrer ao protecionismo para sair da crise econômica. "Esse é o momento para não apenas para medidas individuais para combater a crise financeira global. Esse é o momento para que o mundo se una em apenas um", disse . Kamal Nath, ministro do Comércio da Índia, afirmou nesta semana que a crise global poderia abastecer o protecionismo. "Nós tememos isso porque devemos reconhecer que no coração da globalização vive a competitividade global, e se os governos vão proteger suas instalações produtivas não-competitivas, não será uma troca justa", disse.

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