Vilão da inflação agora é o arroz, que subiu 15% no mês

Feijão também pesa no bolso do consumidor. Produto subiu 168,44% em 12 meses, mas caiu 12,34% em março

Vera Dantas, de O Estado de S. Paulo,

23 de abril de 2008 | 20h50

Depois de sofrer o impacto da alta do feijão nos últimos meses, o consumidor começa a sentir no bolso o peso de outro produto básico na mesa do brasileiro, o arroz. Nos últimos 30 dias, o produto já aumentou 15% nos supermercados e deve ter novas altas nas próximas semanas. No acumulado de 12 meses até março, nos supermercados de São Paulo, o feijão subiu 168,44%. Mas teve queda de preço de 12,34% no mês anterior.   Veja também: Brasil suspende exportação de arroz Veja especial sobre a crise dos alimentos      "Do fim do ano passado para cá, o arroz vinha subindo em marcha lenta e até março estava com alta acumulada em torno de 5%. Mas, nas últimas semanas, deu um salto e deve subir mais", disse o vice-presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Martinho Paiva Moreira.   O preço médio da saca do produto em abril ficou em R$ 65. Em março, era de R$ 57,70. "O preço do arroz subiu no mercado internacional por vários motivos e há escassez do produto", diz o diretor da RC Consultores, Fábio Silveira.   A demanda mundial também explodiu, lembra, principalmente na Ásia, onde se consome muito arroz. O Brasil, embora seja produtor, não teve uma safra muito boa para elevar os estoques domésticos diante de uma economia aquecida.   "Os dois países que nos abastecem para equilibrar a oferta, Argentina e o Uruguai também elevaram seus preços ." O resultado desse cenário, diz Silveira, é escassez e alta de preços.   Em abril, o preço no atacado subiu 23% em relação a abril do ano passado e está 20% acima de dezembro, segundo levantamento da RC Consultores. Na comparação com março, a alta é de 14%."O arroz pode ficar em alta algum tempo, mas a demanda tende a se ajustar e os preços devem cair", prevê.   Trigo   O trigo é outro produto com alta de preço que está pressionando toda a cadeia de farináceos. "Nos últimos 45 dias, a farinha para a indústria de biscoito aumentou quase 50%. Essa alta ainda não chegou totalmente ao bolso do consumidor, mas os fornecedores já estão falando em reajuste de 20%", diz o vice-presidente da Apas.   Ele prevê para maio reajustes nos preços de macarrão, biscoitos, bolos e demais produtos que utilizam farinha de trigo como matéria-prima. No atacado, o trigo está com aumento de 55% este mês em relação a abril de 2007 e uma alta de 8% na comparação com março.   Soja   O óleo de soja também com aumentos sucessivos, registra alta nos supermercados paulistas de 56,18% nos últimos 12 meses até março. "O óleo de soja está custando para o consumidor em torno de R$ 3,20. Há 8 meses, custava entre R$ 1,70 e R$ 1,90", diz Moreira.   No atacado, em abril, o produto apresenta alta de 3%, mas, segundo Fábio Silveira, os preços tendem a diminuir porque a soja está caindo de preço. Na Bolsa de Cereais de São Paulo, a queda em abril no preço do grão é de 4,3% em relação a março.   "Na verdade, o que se vê mais é uma flutuação de preços, com altas e quedas. Mas o problema é que algumas dos aumentos, como é o caso do arroz, provocam um estrago maior pelo peso que têm no índice de inflação", diz Silveira.   Sua percepção é que a alta de preços se esgotará logo. Em março, o preço da cesta de alimentos e produtos de higiene da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) teve aumento real de 9,58%.

Tudo o que sabemos sobre:
InflaçãoCrise dos alimentosArroz

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.