Villepin quer Europa e G-20 em um sistema de comércio mundial

O ministro das Relações Exteriores da França, Dominique de Villepin, defendeu hoje que a União Européia e o G-20 o grupo de países em desenvolvimento, liderado pelo Brasil, que insiste na discussão plena da agenda agrícola da Organização Mundial do Comércio (OMC), procurem aproximar suas posições em favor de um sistema de comércio mundial que ofereça maior equilíbrio entre as economias mais desenvolvidas e as emergentes e pobres. Em discurso no Instituto Rio Branco, Villepin lembrou que a França, como membro da União Européia, e o G-20 podem legitimamente enfrentar-se sobre alguns pontos específicos. Mas insistiu na necessidade de retomada das negociações da Rodada Doha da OMC, por tratar-se de um processo voltado para o desenvolvimento. As negociações estão, na prática, interrompidas desde o fracasso da reunião ministerial da organização em Cancún, em setembro passado. Em boa medida, esse fracasso deveu-se à aliança dos Estados Unidos com a União Européia em torno da limitação das negociações de temas agrícolas, fato que suscitou a aliança opositora de países em desenvolvimento, que formaram o G-20. Villepin, entretanto, esforçou-se para demonstrar que não há animosidade entre seu país e o G-20. "A França foi o primeiro país a reconhecer o grupo", insistiu. Em um discurso elegante, o chanceler francês defendeu que, apesar das divergências, o desafio agrícola é um tópico de extrema importância na ordem internacional e que, nesse sentido, a União Européia mantém uma "mobilização constante" em favor da reforma da sua Política Agrícola Comum (PAC). "Temos vários trunfos: contamos com nossas convergências e, em particular, com a necessidade de abrir nossos mercados aos produtos do Sul, como o algodão. Mas também contamos com o caráter central da proteção da ruralidade na definição e na gestão das nossas políticas agrícolas", declarou, em referência a limites conhecidos nas rodadas agrícolas. Encontro com Lula na Base AéreaDominique Villepin encontrou-se às 6h50 de hoje, na Base Aérea de Brasília, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A reunião durou cerca de 30 minutos e somente ocorreu por insistência da diplomacia francesa. Na noite de ontem, o Palácio do Planalto informou a embaixada da França que o encontro, marcado inicialmente para a tarde de hoje, seria cancelado por conta da decisão do presidente Lula de visitar as regiões do Nordeste brasileiro mais afetadas pelas inundações. A proposta francesa de antecipar a reunião acabou aprovada por volta das 20 horas de ontem. Mas, em vez de ser recebido no Palácio do Planalto, Villepin teve de dirigir-se à Base Aérea e aproveitar os minutos que antecederam o embarque do presidente.

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