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Tiago Queiroz/Estadão
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'Vim atrás de um desconto que não apareceu'

Cauteloso, consumidor confere e compara preço antes de bater o martelo na compra do imóvel

Márcia de Chiara, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2015 | 02h04

Os consumidores estão aproveitando a onda de desova de estoques para realizar o sonho de comprar a casa própria e do carro zero. O casal Luciano João da Silva, de 38 anos, e Alcione de Carvalho, de 28, ambos comerciantes, foi na semana passada ao estande de vendas da incorporadora PDG em busca de um imóvel com desconto.

Durante duas semanas, a empresa anunciou um corte de até R$ 320 mil em imóveis entre 43 e 266 metros quadrados (m²) em mais de 60 endereços na capital paulista.

"Vim atrás do desconto, mas na verdade não apareceu o desconto", disse Silva. Ele já tem um apartamento de 75 m², com três dormitórios, no bairro do Pari. Comprou esse imóvel da incorporadora um ano atrás por R$ 300 mil e agora quer adquirir outro apartamento igual no mesmo prédio.

Para surpresa do casal, o preço de tabela do imóvel é R$ 490 mil. Mas, com o desconto de R$ 87 mil oferecido na promoção, o preço cai para R$ 403 mil. Ocorre que o comerciante disse que há no mesmo prédio um imóvel novo à venda, cujo preço pedido pela imobiliária é R$ 370 mil. "A diferença é de R$ 33 mil entre o preço da incorporadora e de um particular para o mesmo apartamento no mesmo prédio."

Segundo ele, no seu prédio há três imóveis da incorporadora disponíveis para venda e outros de particulares. É que muitas pessoas não conseguiram financiamento e colocaram o apartamento à venda. O comerciante disse que não encontrou vantagem na promoção. "Para mim, não há vantagem nessa promoção."

A PDG informa que "os descontos oferecidos são baseados em sua tabela de preços, que leva em consideração a valorização dos produtos, pesquisa de mercado, metragem e posição da unidade. Trata-se, portanto, de descontos reais aplicados sobre o valor de venda do imóvel pela empresa". Quanto ao imóvel citado por Silva, a incorporadora ressalta que, como está sendo intermediado por uma imobiliária e é de propriedade de uma pessoa física, pode ser vendido pelo valor que o dono julgar adequado.

Carro zero. Enquanto o casal ficou frustrado com a promoção do imóvel, José Josias de Barros, de 41 anos, casado, com dois filhos, aproveitou para comprar o primeiro carro zero. Na semana passada, ele levou para casa um Prisma 1.4 LTZ modelo 2014/2015. Pelo veículo ele pagou R$ 49,8 mil. O preço de tabela é R$ 55,8 mil.

Além do desconto de R$ 6 mil, o que motivou Barros, que trabalha numa indústria, a comprar um carro novo foi a promoção do IPI reduzido e o prazo dilatado de financiamento. "Dei R$ 14 mil de entrada e parcelei o restante 48 meses." Mensalmente ele vai gastar R$ 1.128 na prestação.

Barros disse que uma prestação em torno de R$ 1 mil é possível pagar, pois ele e a mulher trabalham e a renda familiar está faixa de R$ 4 mil. "Se reduzir o número de prestações, o valor da parcela aumenta muito."

Wilson Goes, diretor da revenda Palazzo, que vendeu o veículo para Barros, contou que dilatou o prazo de 48 para 60 meses. Segundo ele, sem esse artifício a queda nas vendas seria maior. Hoje Barros só tem a dívida do carro e não vai contrair mais financiamentos. "Daqui para frente ninguém sabe o que vais ser. Estou com um pé atrás."

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