Vinho gay chega ao mercado com a marca Ithaca

Empresa uruguaia lança produto para comunidade homossexual após liberação de matrimônio igualitário

08 de agosto de 2013 | 15h59

MONTEVIDÉU - Depois de legalizar o casamento homossexual, o Uruguai terá agora a primeira marca de vinho 'amigável' para a comunidade gay.

O vinho gay será comercializado com a marca Ithaca em lugares exclusivos de Montevidéu e será comercializado principalmente pelas redes sociais.

    

"Não definimos o vinho como exclusivo para gays, mas como amigável à comunicade homossexual e outros setores boêmios e de mente aberta da sociedade uruguaia", explicou o empresário Martín Guerra Vergara, criador do vinho.

Guerra, que está há mais de uma década no setor vinícola, onde criou um clube e uma adega privada, disse que o projeto do vinho "gay fiendly" estava há tempos na sua cabeça.

 

Doce e fresco. "Agora parece ser o momento mais adequado para lançar o produto", declarou, referindo-se à recente legalização do casamento homossexual no Uruguai.

A lei do Matrimônio Igualitário foi aprovada há quatro meses e já está em vigor. A cerimônia de apresentação do vinho Ithaca contou com o apoio do vice-ministro uruguaio de turismo e esporte, Antonio Carámbula.

    

A linha de vinhos gays tem quatro variações: um rosado frizzante, um cabernet sauvignon roble, um espumoso natural rosé e um vino do tipo 'ice wine', destacou Carlos Pizzorno, encarregado de da produção.

O 'ice wine' é um vinho fresco e doce para acompanhar sobremesas e é preparado em países onde as condições climáticas de frio congelam as uvas, aumentando o tempo de maturação e aumentando a concentração de açúcar.

É um vinho típico do Canadá e do Uruguai e o sistema inédito de produção obedece a um processo similar, mas artificial.

Nos últimos meses, a empresa organizou vários encontros de degustação entre integrantes da comunidade homossexual, que receberam o lançamento 'com entusiasmo', segundo os organizadores.

Casamento. O casamento gay dos uruguaios Sergio Miranda, produtor audiovisual de 45 anos, e Rodrigo Borda, formado em comunicação, de 39 anos, foi o primeiro no Registro Civil, no último dia 5, após a nova lei de matrimônios gays. O vinho gay foi oferecido na festa para degustação.

Miranda e Borda dirigem a revista Friendly Map, orientada para o público homossexual na capital uruguaia. Segundo Martín Guerra Vergara, na América Latina existem outras duas experiências anteriores de vinhos gays, um na Argentina e outra no Chile.

A marca Ithaca deve seu nome à ilha grega de Itaca, um destino turístico para os visitantes das ilhas Jônicas. A etiqueta nas garrafas apresenta um quatro da artista plástica Gabriela Rieiro, esposa de Guerra, baseado em uma mescla da cultura grega e vinhos.

"Após a nova lei do matrimônio igualitário, já temos alguns pedidos para abastecer festas de casamentos gays", disse Guerra. Os vinhos Ithaca não serão vendidos no varejo, mas apenas em locais exclusivos, como alguns restaurantes e hotéis. A comercialização será fundamentalmente pelas redes sociais, segundo o empresário.

Segundo a classificação do "Spartacus International Gay Guide", o Uruguai é o país mais amigável aos gays na América Latina, em relação aos direitos dos homossexuais.

Tudo o que sabemos sobre:
vinhocasamento gay

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.