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Vinícolas chinesas investem para ter Napa Valley próprio

Numa noite de outono, numa sala de aula iluminada com lâmpadas fluorescentes, na Universidade de Tsinghua, em Pequim, uma dezena de estudantes estavam atentos às explicações da professora. Emma Gao levantou uma taça contra a luz e pediu para que eles analisassem o líquido dentro dela. Tsinghua é conhecida como o MIT da China, mas este não era um seminário sobre as propriedades mecânicas dos fluidos, mas tratava-se de uma reunião do clube de estudantes de vinho.

Por Jane Sasseen, PARA THE NEW YORK TIMES , YINCHUAN, CHINA, O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2015 | 02h02

Emma Gao, uma mulher baixinha sorridente, estava realizando uma degustação de safra recentes da vindima pertencente à sua família em Ningxia, remota região da China na extremidade do deserto de Gobi. Por trás das mesas rodeadas de taças, os estudantes cheiravam e bebericavam o vinho, comparando um tinto frutado com um vinho em que se sentia mais o carvalho, mais encorpado e no estilo francês.

Desde que suas vinhas começaram a ser aclamadas internacionalmente, Ema Gao, 38 anos, tornou-se uma improvável nova estrela de um novo setor chinês ainda mais improvável. Seu vinhedo, Silver Heights, é pioneiro na China, onde são adotadas as técnicas de fabricação de vinho ocidentais mais sofisticadas para o que seria um setor concentrado na produção em grande volume.

Baseando-se no modelo de vinícola butique, Ningxia ambiciona se tornar o Napa Valley da China. Os vinhateiros locais conquistaram prêmios de prestígio e há planos para dobrar as vinhas da região e criar um centro de turismo dedicado ao vinho. Os investidores estrangeiros também já tomaram nota do lugar. A Möet & Chandon francesa produz champanhe na região, ao passo que a Pernod Ricard está também investindo grandes somas para modernizar seus estabelecimentos na localidade.

"As pessoas sabem que Napa produz os melhores vinhos nos EUA e Bordeaux os melhores vinhos na França", disse Hao Linhai, dirigente importante da região que supervisiona o setor. "Quando pensam em vinhos chineses queremos que pensem em Ningxia".

Gosto. Embora a China seja melhor conhecida pelo "baijiu", bebida com alto teor alcoólico, do que vinhos premiados, a sua classe média, que aumenta rapidamente, vem demandando cada vez mais produtos finos ocidentais. E isto inclui vinhos finos. Os chineses consumiram mais de 1,5 bilhão de garrafas de vinho tinto em 2014, o dobro do registrado em 2008, segundo a IWSR, empresa de pesquisa de Londres. No geral, a China está em quarto lugar no consumo de vinho tinto, vindo atrás da França, EUA e Itália. A produção local aumentou para atender à demanda. De praticamente zero nos anos 80, hoje é a sétima maior produtora de vinhos do mundo.

Auxiliado pelo mesmo planejamento de longo prazo e apoio governamental que produziram o sucesso do país em tudo, desde têxteis até produtos eletrônicos de luxo, o setor de vinhos produziu 120 milhões de caixas em 2014. Um pouco menos de um terço do que foi produzido nos EUA e não muito atrás de dois pesos pesados no campo da exportação de vinhos, Austrália e Argentina.

Mas o vinho chinês é fabricado quase que exclusivamente para o mercado interno, disse Ma Huiqin, professor da Universidade Agrícola de Pequim que trabalha também com a indústria de vinho de Ningxia. Até recentemente, a maior parte não era bem avaliada dentro dos padrões internacionais.

Nova geraçao. Mas agora uma nova geração de vinhateiros tenta melhorar a qualidade do vinho para conquistar não apenas os bebedores de vinho locais, como também aqueles que só bebem vinhos importados da França, EUA e outros lugares. No final, como ocorre com muitos outros setores chineses, os mais bem sucedidos vão procurar exportar seu vinho.

Sentada na varanda da casa de sua família fora da capital de Yinchuan, Emma Gao da Silver Heights olha para suas vinhas que seu pai plantou há quase 20 anos. Como foi o primeiro da região a plantar uvas, ele sugeriu à sua filha ir para a França e estudar como produzir vinho, em 1999. "Eu tinha 21 anos e claro, por que não?", disse ela. "Estava mais interessada na França do que na produção de vinhos."

Depois de fazer uma formação em enologia, ela passou um período no conhecido Chateau Calon Ségur, onde conheceu, e depois se casou, com um vinicultor. O comportamento francês provocou uma profunda impressão nela: "Aprendi que é preciso se concentrar na qualidade para produzir o melhor." /TRADUÇÃO TEREZINHA MARTINO

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