Violência afasta investimento e custa l0% do PIB

Um estudo coordenado pelo economista Cláudio Haddad, do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), mostrou que a escalada da violência intimida não apenas os brasileiros, mas está servindo também para aumentar o risco Brasil. Ouvido no programa Espaço Aberto, da Globo News, Haddad disse que o estudo se baseou em entrevistas feitas com cerca de cinco mil famílias paulistanas. Uma de suas conclusões é que os estragos causados pela violência urbana e os recursos utilizados para combatê-la equivalem a 10% do Produto Interno Bruto (PIB). O estudo não levou em conta os dados oficiais, já que apenas 30% das vítimas da violência apresentam queixa à Polícia. "Não é um filme, é uma foto", exemplificou o economista. "Não sei se está melhor hoje do que há dois anos, ou pior, ou o que vai acontecer daqui a alguns anos."Para o economista, o crime se transformou num dos maiores problemas econômicos do Brasil atual, com várias explicações e conseqüências. Entre elas, o excesso de gastos com a segurança, tanto com recursos públicos como privados; a perda de vidas e de propriedades; a mudança de comportamento das pessoas, que deixam de fazer coisas que poderiam fazer se a criminalidade fosse mais baixa; e o aumento do risco de fazer negócios no País, seja entre investidores externos como internos. "O principal problema do Brasil, hoje, não é a política macroeconômica. É justamente o de criar um ambiente favorável ao investimento. E isso só vai acontecer quando o investidor achar que ele terá uma rentabilidade adequada, bem como respeitado o direito à propriedade, regras que são seguidas ou não, e a criminalidade", explicou Haddad.Agenda microeconômica Segundo o economista do Ibmec, para reduzir o risco Brasil o governo precisa agora de uma agenda microeconômica para garantir um ambiente favorável aos negócios. "Uma multinacional interessada em se instalar no Brasil vai se preocupar, também, com as condições gerais de qualidade de vida de seus funcionários aqui, inclusive o grau de segurança que eles terão. E essa é uma preocupação crescente nas empresas que fazem investimento no Brasil, e também nos empresários nacionais, que correm o risco de serem assaltados ou seqüestrados." A pesquisa não aponta soluções, fazendo apenas um diagnóstico da situação. Aí, foram levantados alguns dados. Por exemplo, quanto dos crimes cometidos foram apurados e levaram seus autores à prisão; e quanto tempo as pessoas condenadas permaneceram presas. Os números do medoDe acordo com Haddad, a pesquisa revelou que um habitante da cidade de São Paulo têm 22% de possibilidade de ter sofrido um tipo de violência qualquer, nos últimos 12 meses; e quase 60% de ter sido vítima da violência durante a sua vida. "Isto é, mais de um em dois habitantes da cidade de São Paulo, durante a sua vida, segundo a pesquisa, hoje, deverão sofrer algum tipo de violência. E quando você soma crimes violentos a outros tipos de crime, como o estelionato, a probabilidade de uma pessoa ter sido vitimada nos últimos 12 meses chega perto de 40%. Por outro lado, desses crimes todos, apenas uma fração deles, cerca de 30%, é reportada à Polícia."Violência e rendaPara o economista, há fatores que contribuem para a violência, como o grau de concentração de renda aliado ao nível de renda. "Só ter renda baixa não leva à criminalidade, mas a concentração de renda e a renda baixa, os dois fatores em conjunto, levam." Haddad explicou, ainda, que o desemprego não tende a aumentar a criminalidade, exceto nas camadas jovens.

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