Violência derrubou confiança do consumidor em SP

A recente onda de violência em São Paulo ajudou a derrubar a confiança do consumidor em maio. A avaliação é do coordenador de Sondagens Conjunturais do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), Aloisio Campelo, ao comentar a queda de 2,3% no Índice de Confiança do Consumidor (ICC) em maio ante abril - a quarta queda consecutiva. Campelo ressaltou que o resultado de maio do indicador teria caído de qualquer maneira, tendo em vista o cenário de pessimismo do consumidor brasileiro, nos últimos meses. Mas os acontecimentos em São Paulo contribuíram para aprofundar a magnitude da queda do ICC em maio. "A queda de 2,3% talvez pudesse ter sido menor, não fosse a onda de violência em São Paulo", disse.São Paulo é cidade de maior peso na formação do indicadorExcepcionalmente, o economista abriu o resultado do ICC em São Paulo - o indicador é apurado com base em entrevistas em 2 mil domicílios em sete capitais -, e revelou que, a confiança do consumidor em São Paulo caiu 5,3% em maio (acima da média nacional, de -2,3%), ante queda de 3,2% em abril.O economista comentou que São Paulo é a cidade de maior peso na formação do indicador. Porém, Campelo ressalvou que, no cenário nacional, o principal motivo que levou à continuidade do mau humor do consumidor em maio não foi os ataques de violência em São Paulo. "O que ocorreu em São Paulo ajudou a intensificar a queda na confiança, mas a confiança do consumidor está caindo porque os efeitos da lenta recuperação econômica, apesar de já serem sentidos pelo setor industrial, ainda não são visíveis para o consumidor", disse.Ele comentou que essa falta de percepção por parte do consumidor de que a economia estaria melhorando gera incerteza, derrubando o otimismo do brasileiro. Além disso, Campelo afirmou que o consumidor não está percebendo melhora no mercado de trabalho - o que contribuiu muito para a queda na confiança em maio. Recuperação Segundo Campelo, a confiança do consumidor pode se recuperar nos próximos meses. Ele comentou que o pessimismo do consumidor está relacionado ao fato dos efeitos da lenta recuperação da economia não serem percebidos diretamente pelos brasileiros, principalmente no que concerne a mercado de trabalho. Além disso, comentou que o impacto da onda de violência em São Paulo não deve ser detectado no próximo resultado do indicador.Inflação deve aumentar A projeção de inflação do consumidor para os próximos 12 meses passou de 5,9% em abril para 6,3% em maio, informou Campelo. Ele comentou ainda que esse aumento na projeção é um dado importante, visto que as estimativas do consumidor brasileiro para a inflação estavam caindo mês a mês, desde dezembro. Outro tópico mencionado por Campelo que consta na sondagem é a percepção do consumidor sobre taxa de juros. A parcela dos consumidores entrevistados que apostavam em queda nos juros, nos próximos meses, passou de 35,1% para 30,1%, de abril para maio.

Agencia Estado,

25 de maio de 2006 | 16h00

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