Lefteris Pitarakis/AP
Lefteris Pitarakis/AP

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Violência toma conta de onda de protestos na Grécia

Manifestantes entraram em confronto com a polícia em Atenas no primeiro dia da maior paralisação já registrada contra as medidas de austeridade do governo 

Agência Estado,

19 de outubro de 2011 | 14h49

A Grécia vive momentos de forte violência no primeiro dia da greve geral contra as medidas de austeridade do governo. A paralisação, que reúne mais de 120 mil manifestantes e está prevista para durar 48 horas, é a maior já registrada no país há anos.

Várias categorias, de funcionários públicos a farmacêuticos e bancários, cruzaram os braços antes da importante votação sobre novas medidas de austeridade no Parlamento, marcada para a quinta-feira.

A polícia entrou em confronto com manifestantes nas proximidades do Parlamento, lançando gás lacrimogêneo, enquanto os manifestantes jogavam coquetéis molotov. Um cenário de guerra foi visto em Atenas, com barricadas, lojas depredadas e cabines incendiadas.

 

A maioria dos protestos ocorre na capital, com cerca de 70 mil pessoas na região da Praça Syntagma, onde fica o Parlamento. Há também grandes manifestações em Tessalonica, Patras e Heraklion, disse a polícia. Autoridades em Atenas fizeram um cordão de isolamento em frente ao Parlamento. Além disso, duas estações de metrô próximas ao local dos protestos foram fechadas.

Pressionado por seus credores internacionais, o governo da Grécia enviou este mês ao Legislativo medidas para cortar empregos e salários do setor público, reduzir as pensões mais altas, acabar com direitos coletivos de algumas categorias e impor novos impostos aos contribuintes, entre outras.

Na quinta-feira, o Parlamento votará as medidas, dias antes de uma visita no domingo de líderes europeus que devem trabalhar em uma solução abrangente para a crise da dívida do bloco. O grupo deve também decidir se libera mais uma parcela de ajuda para a Grécia. O país necessita receber a próxima parcela de 8 bilhões de euros da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI) nas próximas semanas, ou o governo de Atenas disse que ficará sem fundos em meados de novembro.

Gregos ficam sem transporte, voos e comércio

Os serviços públicos estavam paralisados por todo o país, com escritórios dos governos central e locais fechados. Escolas e tribunais estavam parados, e os hospitais operavam em esquema de plantão.

Os serviços de transportes eram prejudicados pela suspensão na operação de ferries. Os serviços nacionais ferroviários também estavam parados, e as duas grandes companhias aéreas gregas - Olympic Air e Aegean Airlines - cancelaram dezenas de voos, por causa de uma paralisação de 12 horas dos controladores de tráfego aéreo.

Dezenas de milhares de varejistas e pequenos negócios aderiram ao protesto, fechando suas lojas contra as recentes medidas do governo para elevar impostos e cortar gastos, que pioraram a recessão no país e levaram ao aumento no número de falências.

A greve de 48 horas é convocada pelas centrais sindicais GSEE, do setor privado, e ADEDY, do público. É a segunda vez no ano que as centrais convocam uma paralisação de dois dias contra as medidas de austeridade. Nas últimas semanas ocorrem greves quase diariamente no país, com várias manifestações, entre elas um protesto de duas semanas de servidores municipais que deixou toneladas de lixo pelas ruas de Atenas e outras cidades.

(Com agências internacionais)

 
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