Viracopos concede desconto em tarifas para atrair voos internacionais

Além de incentivo para aéreas, concessionária do aeroporto aposta na abertura de novo terminal e na disponibilidade de horários

Marina Gazzoni, Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2014 | 02h06

O aeroporto de Viracopos vai oferecer isenção de tarifas aeroportuárias para atrair companhias aéreas estrangeiras. Até o mês passado, apenas a portuguesa TAP oferecia voos internacionais a partir de Campinas. Em julho, a Gol lançou voos para Miami no terminal. Até o fim de 2014, Copa, American Airlines e Azul seguirão o mesmo caminho. E a tendência, segundo especialistas, é que mais aéreas migrem para Campinas, de olho na renda dos passageiros do interior de São Paulo.

A decisão das empresas está ligada à conclusão do novo terminal pela concessionária Aeroportos Brasil Viracopos. Além da isenção de tarifas e da nova infraestrutura, o diretor comercial de Viracopos, Aluizio Margarido, diz que Campinas poderá oferecer horários de voos que as companhias aéreas não conseguem mais no aeroporto de Guarulhos.

O desconto nas taxas aeroportuárias, como de pouso de permanência, valerão após a inauguração do novo terminal, marcada para dezembro (leia abaixo). A obra está atrasada e deveria ter ficado pronta para a Copa. A concessionária foi autuada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), mas a multa ainda não foi definida.

A expectativa de Margarido é que as empresas aéreas repassem para as passagens os descontos recebidos para operar em Viracopos e atraiam passageiros do interior paulista e também da capital. "Quando lançam uma rota, as empresas fazem promoções e cobram preços menores. Devemos atender também ao cliente paulistano."

Tanto é assim que nem todos os voos que estão partindo de Campinas são novos. As duas frequências da American Airlines em Viracopos serão retiradas de Guarulhos, segundo Dilson Verçosa Júnior, diretor de vendas da aérea americana no Brasil. "Pela importância econômica de Campinas, achamos que esta era uma boa oportunidade para um ajuste de malha", explica o executivo.

Para o professor de transporte aéreo da USP, Jorge Leal, a oferta de incentivos comerciais dos aeroportos para as empresas é consequência da concorrência criada pela privatização. "A ideia do governo de não permitir que o mesmo grupo administrasse Galeão, Viracopos e Guarulhos era justamente promover a competição entre eles", disse.

Procurada pelo Estado, a concessionária GRU Airport não retornou o contato.

Dificuldades. As empresas que decidiram voar para o exterior a partir de dezembro não enfrentarão as mesmas limitações da época em que a TAP iniciou os voos para Lisboa a partir de Viracopos, em 2010, por falta de horários em Guarulhos e para atender o cliente do interior.

O diretor-geral da TAP no Brasil, Mario Carvalho, lembra que o terminal não tinha um free shop até julho do ano passado, quando a Dufry inaugurou uma loja no local. Segundo ele, a falta da loja dificultava a aceitação dos voos saindo de Viracopos pelo passageiro. "Esperamos que o voo fique mais atrativo com o novo terminal."

A Azul escolheu Viracopos para lançar seus voos internacionais, que serão conectados com a operação doméstica da empresa. Campinas é o principal centro de distribuição de voos nacionais da empresa, com ligações diretas para 50 cidades.

Já a Gol e a Copa Airlines dizem que o terminal é uma opção mais cômoda para atendimento ao interior de São Paulo. "Acredito que Viracopos atenderá não só as cidades próximas a Campinas, mas também será mais viável para outros polos regionais paulistas, como Ribeirão Preto e Araçatuba", diz Emerson Sanglard, gerente de marketing da Copa Airlines para a América do Sul.

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