‘Virou uma questão de sobrevivência’

Restaurante está há dois anos sem subir preços

Douglas Gavras, O Estado de S. Paulo

25 Junho 2017 | 05h00

O empresário Ricardo Gualazzi, de 61 anos, ainda não decidiu se mantém aberto o pequeno restaurante de comida mexicana que gerencia há mais de 11 anos no Jardim Paulista, na zona sul de São Paulo, ou se vende tudo e volta a morar fora do País.

“Nos últimos anos, nenhum pequeno comerciante consegue mais se preocupar em ter lucro, tudo virou uma questão de sobrevivência do negócio. O nível de esperança do empresariado caiu muito. Nessa altura do campeonato, a gente só comemora o fato de ainda continuar aberto”, diz.

Gualazzi afirma não reajustar os preços dos pratos há pouco mais de dois anos, para tentar segurar os fregueses que não cortaram por completo o almoço fora. “O poder aquisitivo do consumidor caiu visivelmente. Aqui, que é uma região em que se concentram muitos prédios comerciais, a fraqueza da recuperação da economia ainda é visível. Não tenho como dar descontos, mas vou me virando como posso para fechar as contas”, acrescenta.

“É uma queixa uníssona, de todos os comerciantes, de todos os colegas dentro do mercado de restaurantes, a reclamação é geral. Os preços estão congelados, enquanto a matéria-prima e os custos têm subido.”

Os clientes mais fiéis, que frequentavam o restaurante mais de uma vez por semana antes da crise, passaram a trazer comida de casa.

“Antes, eu recebia um grupo de funcionários que trabalhava em um escritório aqui perto. Agora, só um deles continua vindo e ele diz que a fila para aquecer o almoço no micro-ondas da empresa foi um dos únicos movimentos que aumentaram no prédio da empresa.”

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