Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

'Visão do investidor estrangeiro com Brasil ainda é de cautela', diz economista-chefe do Itaú

Para Mário Mesquita, há interesse por parte dos investidores sobre a viabilidade da aprovação de reformas

Entrevista com

Mário Mesquita, economista-chefe do Itaú

Célia Froufe, enviada especial, O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2019 | 16h07

DAVOS – A visão do investidor estrangeiro com o Brasil ainda é de cautela, mas com viés positivo, na percepção do economista-chefe do banco Itaú, Mário Mesquita. “Acho que a interação das autoridades com a comunidade empresarial internacional esta semana, aqui em Davos, tende a favorecer essa visão favorável a respeito do Brasil”, disse em entrevista ao Estadão/Broadcast após assistir ao discurso do presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos.

Para o economista, ainda há interesse por parte desses investidores sobre a viabilidade da aprovação das reformas. “Acho que esta é uma pergunta de investidores locais e internacionais”, considerou ao ser questionado sobre as perguntas mais frequentes durante o almoço com o ministro da Economia, Paulo Guedes, promovido pela instituição em evento paralelo ao Fórum.  

Mesquita disse ainda que as autoridades têm demonstrado grande confiança no sucesso da iniciativa para aprovar essas reformas, mas avaliou que o lugar para apresentar detalhes de política econômica é o Brasil. “É lá que estão eleitores e contribuintes.” Leia abaixo a entrevista:

O ministro Guedes e o presidente Bolsonaro não perderam uma chance de atrair mais os investidores com seus discursos em Davos?

Não, acho que aqui o que é importante é a consistência da mensagem ao longo do tempo entre as declarações do ministro e do presidente, mantendo o discurso. As diretrizes gerais do governo são mantidas e repetidas. O lugar para apresentar detalhe de política econômica é o Brasil.

Então a estratégia foi certa?

Eu concordo. Acho que os eleitores e os contribuintes estão no Brasil, então é lá que os detalhes das medidas devem ser anunciadas.

Mas os investidores e os intermediários estão aqui. Não seria conveniente dar uma sinalização ao mercado também?

Acho que a consistência faz um pouco esse papel. Repetir a mensagem é algo que tende a reforçar a confiança.

O senhor avalia como uma boa apresentação?

Acho que foi uma boa interação do governo com a comunidade internacional. Uma interação total que continuará ao longo da semana.

Algum cliente ou investidor teve interesse em algum ponto em especial?

Eles têm sempre interesse sobre a viabilidade da aprovação das reformas. Acho que esta é uma pergunta de investidores locais e internacionais.

Por causa do Congresso...

Sim, por causa do Congresso, do relacionamento com o Congresso. As autoridades têm demonstrado grande confiança no sucesso da iniciativa para aprovar essas reformas.

Agora falando sobre projeções. O Itaú mudou alguma coisa recentemente?

Não. A gente já vinha com a projeção de crescimento de 2,5%, o FMI (Fundo Monetário Internacional) veio com um número igual ao nosso. O ministro Paulo Guedes mencionou uma coisa que é correta: estamos em uma fase de assincronia, o mundo está desacelerando, mas o Brasil tende a acelerar. A maioria dos analistas independentes concorda com essa avaliação. Temos uma economia fechada, o que é ruim em termos estruturais, mas permite esse tipo de assincronia.

A desaceleração da economia global está mais clara agora do que quando o senhor esteve em Londres, no fim do ano passado?

Sim, os números continuam apontando para uma economia chinesa e americana mais fraca na margem. Por agora, não é nada que mude nosso cenário para o ano, mas o viés vindo de fora é de crescimento mais baixo.

E os emergentes e o Brasil nesse cenário?

Há emergentes e emergentes. A gente vê o Brasil acelerando este ano, a Argentina talvez saindo da recessão forte do ano passado, as economias da região – Chile, Peru, Colômbia – devem crescer relativamente bem.

Então a visão do estrangeiro está positiva?

A visão do estrangeiro - estivemos nos EUA na semana passada, falando com investidores de lá – ainda é de cautela, mas com viés positivo. Acho que a interação da autoridades com a comunidade empresarial internacional esta semana aqui em Davos tende a favorecer essa visão favorável a respeito do Brasil.

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