Visita de Anne Krueger não deve gerar expectativas, diz ABN Amro

O economista-chefe da ABN Amro Asset Management, Hugo Penteado, afirma não ver motivos para a geração de expectativas em torno da visita que a vice-diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Anne Krueger, fará ao Brasil a partir de segunda-feira em Brasília. No mercado, só o anúncio, criou-se um leque de expectativas. Mas para Penteado, os encontros da vice do FMI com o presidente Fernando Henrique Cardoso e o ministro Pedro Malan (Fazenda) ocorre em clima de cordialidade, em retribuição à visita que o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, fez recentemente aos Estados Unidos. "De qualquer forma, é uma visita positiva já que acontece em um momento em que não temos problemas de cumprimento de metas e após o Brasil ter sacado US$ 10 bilhões da conta do FMI, o que mostra apoio do Fundo e dos EUA ao Brasil", avalia Penteado. O que aguçou as expectativas do mercado, na avaliação de Penteado, é que nesta visita Fraga lançou a idéia de um acordo de transição. Para o economista, trata-se de uma incógnita porque ninguém sabe muito bem ainda do que se trata ou se os candidatos vão concordar em assinar o tal acordo. Hugo Penteado demonstrou preocupação em relação a dificuldade de rolagem da dívida das empresas. Segundo ele, em função do elevadíssimo risco Brasil, só 40% vencimentos têm sido rolado. "Tanto que a ração diária que o BC tem oferecido ao mercado equivale ao montante que não está sendo rolado pelo setor privado, algo em torno de US$ 1,5 bilhão no mês", afirma. Penteado acrescenta que para se chegar a este valor basta multiplicar os US$ 50 milhões diários que o BC coloca no mercado pelo número de dias do mês. Ele ressalva, no entanto, que as empresas brasileiras, tradicionalmente, mantêm um nível baixo de endividamento e costumam ter seus caixas positivos. Diante deste cenário, as empresas estariam, ao invés de rolar suas dívidas, estão antecipando o pagamento das mesmas. Num primeiro momento, isso é ruim para a balança de pagamento, uma vez que sai dólares do País, afirma o chefe dos economistas da ABN Asset. "Mas lá na frente será muito bom porque teremos menos dívidas para pagar. Para 2003 teremos um balanço de pagamentos tranqüilo, com o déficit em transações correntes caindo e amortizações menores", prevê Penteado.

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