Visita de Kirchner ao Brasil repercute na Argentina

Os jornais argentinos publicaram diferentes versões para o encontro que os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Néstor Kirchner tiveram ontem à noite. O Clarín, por exemplo, estampou em letras garrafais que "Kirchner rejeitou um pedido de Lula pelas papeleiras", as fábricas de papel e celulose que estão sendo instaladas às margens do Rio Uruguai, motivo de conflito entre a Argentina e o Uruguai. Segundo o Clarín, "Lula consultou se havia alguma possibilidade de o governo argentino evitar chegar a essa instância (Tribunal Internacional de Haia) para resolver a disputa no terreno das negociações bilaterais com Uruguai". Em duas páginas e meia de cobertura sobre o assunto, o enfoque sobre a reunião de ambos presidentes foi em relação às plantas da cidade uruguaia de Fray Bentos. O jornal afirma que "em um clima de grande camaradagem", os dois presidentes "traçaram estratégias comuns sobre três grandes assuntos: a discrepância pelas papeleiras que distancia Buenos Aires de Montevidéu, o impacto no Mercosul e os projetos energéticos com a Venezuela". O jornal também afirma que "a aposta de Kirchner e Lula vai na direção de afirmar as lideranças chaves nesta instância tão delicada do Mercosul". E opina que "não é suficiente" a obstinação de ambos presidentes para que o bloco continue caminhando. "A relação entre o presidente Chirac (Jacques, da França) e do chanceler Schroeder (Gerhard, Alemanha) foi decisiva para o fortalecimento do bloco (União Européia) mas não pôde impedir que inclusive os franceses, europeus históricos, terminassem dando as costas à Constituição da UE. As experiências não são simétricas mas vale para recordar que com a empatia não alcança". O Clarín publicou ainda que "fontes brasileiras disseram que hoje, tanto Kirchner como Lula, vão sugerir ao venezuelano Hugo Chávez que tenha mais cautela" no que diz respeito à saída da Venezuela da Comunidade Andina. "Brasil teme que esta situação seja vista pela Colômbia, Peru e Equador como uma estratégia para debilitar esse bloco regional". La Nación O La Nación publicou em sua capa o principal título: "Fortes gestos de unidade entre Kirchner e Lula - coincidiram em que as diferenças com Uruguai devem resolver-se no âmbito bilateral". Para o La Nación, ambos presidentes "jantaram à noite com poucas testemunhas para encenar o momento excepcional do eixo Brasil Argentina. Justamente quando o Mercosul parece a ponto de explodir". Em uma cobertura de meia página, o La Nación destacou as declarações de Marco Aurélio Garcia, assessor internacional do presidente Lula de que "Brasil acreditou sempre e continua acreditando que este tema das papeleiras se pode e se deve resolver no âmbito bilateral". El Cronista O econômico El Cronista apresentou uma página sobre a reunião de Lula e Kirchner dizendo que ambos trataram de colocar "panos frios no Mercosul". Com uma foto de Kirchner beijando a camiseta de seu clube de futebol, Racing, patrocinado pela Petrobrás, enquanto Lula a sustentava, o El Cronista destacou que ambos "tiraram a foto do Mercosul otimista" e "reforçaram com gestos, mais que com palavras, sua associação estratégica e sua aposta pelo bloco, em momentos em que ele atravessa uma de suas piores crises desde sua criação". Segundo o jornal, eles reservam para hoje, quando se soma ao encontro o venezuelano Hugo Chávez, a carta que jogarão para tentar seduzir os sócios menores, Uruguai e Paraguai". Página 12 A mesma foto foi estampada na capa do Página 12 sob o título: "Transpirando a camiseta - Lula e Kirchner se esforçaram para mostrar o crescimento da relação entre os dois países em meio às críticas de Uruguai e Paraguai sobre o funcionamento do Mercosul". O jornal afirma que "Argentina e Brasil prolongaram sua lua de mel" e que "Lula ficou no meio de todos os conflitos - ontem o visitou o colombiano Uribe que tem problemas com Chávez na Comunidade Andina. Logo depois, viu Kirchner, em conflito com Tabaré. Embora sustente que não se meterá, Lula tenta mediar". Ámbito Financiero O Ámbito Financiero afirma que o encontro de Lula e Kirchner teve "poucas definições" e que "a reunião chave" ocorrerá hoje com a presença de Hugo Chávez. O Infobae destacou que os dois presidentes "admitem assimetrias no Mercosul - uma mensagem conciliadora diante das reclamações do Uruguai e do Paraguai".

Agencia Estado,

26 Abril 2006 | 10h37

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