Visita de Lula a Chávez perde objetividade

Criação de companhias mistas é adiada e adesão da Venezuela ao Mercosul aguarda aprovação

Dense Chrispim Marin, O Estadao de S.Paulo

13 de dezembro de 2007 | 00h00

Caracas - Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Hugo Chávez, da Venezuela, vão amargar uma espécie de antiagenda no encontro que manterão hoje em Caracas. Ao contrário do previsto, não será anunciada a criação das duas companhias mistas que vão operar os investimentos da Petrobrás e da Petróleos de Venezuela (PDVSA). Tampouco haverá qualquer declaração ancorada na realidade sobre a aprovação do protocolo de adesão da Venezuela ao Mercosul neste ano, como fora programado em setembro, quando ambos se reuniram em Manaus.Naquela ocasião, Lula e Chávez tentaram contornar uma agenda negativa, que vinha minando as relações bilaterais, durante cinco horas de tensas discussões. Lula também conseguiu reverter a tentativa de Chávez de impor novas regras para os negócios conjuntos da Petrobrás e da Venezuela - a construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e a exploração das jazidas petrolíferas de Carabobo - e acertou com o venezuelano a criação das companhias mistas para hoje. No fim daquele encontro, visivelmente contrariados, concordaram em agendar reuniões a cada quatro meses, no máximo.Fontes do governo brasileiro destacaram que, apesar do anúncio de setembro passado, seria impossível concluir uma negociação tão complexa quanto a criação das duas companhias mistas em apenas três meses. A Petrobrás, destacou essa fonte, conduz essas discussões com o cuidado extremo de amarrar garantias aos investimentos nos projetos conjuntos. Outro tópico relevante da agenda - a adoção de iniciativas comuns para reduzir o desequilíbrio no comércio bilateral - caiu por terra, na prática. Organizado com esse objetivo, o seminário "Como fazer negócios no Brasil e na Venezuela" foi aberto ontem pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge. O evento, entretanto, tornou-se um meio mais eficaz para os empresários brasileiros expandirem suas exportações ao mercado venezuelano e ampliarem esse desequilíbrio. De janeiro a novembro, o Brasil garantiu superávit de US$ 3,9 bilhões no comércio com a Venezuela - resultado de US$ 4,2 bilhões em exportações de produtos brasileiros e de apenas US$ 320 milhões em compras de bens venezuelanos. O presidente Lula deverá desembarcar em Caracas às 9h30 (12 horas, horário de Brasília), conforme o programa preliminar, e permanecerá na Venezuela por cerca de seis horas. Depois de seu encontro de trabalho com Chávez, no Palácio Miraflores, participará a seu lado de um almoço e do encerramento do seminário empresarial, na sede da PDVSA. Deverá embarcar de volta ao Brasil às 15h30. A imprensa brasileira foi obrigada a obter um visto especial para cobrir o encontro entre os presidentes.

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