Gustavo Chacra/AE
Gustavo Chacra/AE

Vista para o Central Park, por US$ 88 mi

Ex-executivo do Citi põe à venda cobertura de 600 m² em Nova York, a mais cara da cidade; dinheiro vai para instituições de caridade

Gustavo Chacra, correspondente de O Estado de S.Paulo,

19 de novembro de 2011 | 22h09

NOVA YORK - A Quinta Avenida é conhecida em todo o mundo por ter o metro quadrado mais valorizado de Nova York e ser o endereço de museus como o Metropolitan e o Guggenheim, de lojas como a Tiffany’s e a FAO Schwarz, do Hotel Pierre, da catedral de St. Patrick e da Apple. Mas, apesar de todo esse glamour, o apartamento mais caro de Manhattan, à venda por US$ 88 milhões, fica do outro lado do Central Park..

Com 600 metros quadrados, a cobertura do endereço 15 Central Park West pertence a Sanford Weill, antigo presidente do Conselho de Administração do Citigroup. Depois de pagar US$ 43 milhões pelo apartamento em 2007, ele e a mulher decidiram que havia muito espaço para os dois e optaram por se mudar para um outro andar no mesmo edifício - que oferece estrutura de lazer que inclui uma piscina de 25 metros, academia, cinema, restaurante exclusivo para moradores e 30 adegas climatizadas.

Assim como em outros prédios residenciais de Nova York, no 15 Central Park West há apartamentos gigantescos para padrões nova-iorquinos. No prédio de Weill, há unidades de apenas um quarto que têm 92 metros quadrados de área.

Além do espaço, quem comprar a cobertura de quatro suítes terá ainda uma das melhores vistas do Central Park. O dinheiro, segundo Weill, que é um dos homens mais ricos dos Estados Unidos, será doado a instituições de caridade.

Arquitetura. Com duas torres, sendo uma de 43 andares e outra de 20, o 15 Central Park West foi desenhado pelo arquiteto Robert Stern, que também é um dos maiores historiadores da cidade de Nova York e diretor da Escola de Arquitetura da Universidade de Yale.

A importância do arquiteto e do 15 Central Park West para a cidade viraram tema de documentário do diretor de cinema Thomas Piper. No filme, que tem o mesmo nome do edifício, Stern explica que se baseou nos edifícios do fim do século 19 e do começo do século 20 em Manhattan para projetar o 15 Central Park West.

Sua principal referência foi o Dakota, que também fica do "lado errado" do Central Park. Conhecido por ser o local onde o ex-beatle John Lennon foi assassinado, o edifício em que ainda vive Yoko Ono tinha um restaurante para todos os moradores, que também compartilhavam uma lavanderia industrial.

O objetivo era amenizar um pouco o serviço doméstico das donas de casa que viviam na cidade em uma época em que ainda não era comum as famílias irem para o subúrbio. Além disso, esses prédios eram uma espécie de clube ou hotel. No passado, alguns deles inclusive levavam nomes como Chelsea Hotel, em outra região de Manhattan.

Aposta certa. Corretores de imóveis consideravam arriscada a iniciativa dos incorporadores Arthur e William Lie Zeckendor, responsáveis pelo bilionário empreendimento. A não ser pelo Dakota e o San Remo, os edifícios da Central Park West, no Upper West Side, costumam ser bem menos valorizados do que os da Quinta Avenida e os da Park Avenue, no Upper East Side, onde vive tradicionalmente a elite de Nova York.

Netos do homem que vendeu para a ONU o espaço para a construção de sua sede no East River, eles insistiram na empreitada e acabaram tendo retornos bilionários nesse endereço, que ajudou a valorizar uma área onde também surgiram outros mega empreendimentos imobiliários, como o prédio da Time Warner e as Trump Towers. Para completar, a dois quarteirões do 15 Central Park West, está o Lincoln Center, com sua Ópera, a Filarmônica e o Ballet de Nova York.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.