Vitória do Brasil na OMC repercute na imprensa mundial

A vitória preliminar do Brasil na sua reclamação contra os subsídios à exportação de açúcar da União Européia (UE), anunciada ontem pela Organização Mundial do Comércio (OMC), recebeu amplo destaque hoje na imprensa internacional. O jornal britânico The Guardian afirma que o regime da UE para subsidiar seus produtores foi considerado ilegal, "numa decisão de peso que vai reduzir severamente o ´dumping´ de excesso de produção nos mercados globais". Segundo o diário, Brasil, Austrália e Tailândia, afirmam ter sido vitoriosos após a decisão preliminar da OMC ter concluído que a UE afetou a vidas de agricultores no resto do mundo ao não respeitar os limites determinados para oferecer apoio financeiro para as exportações da commodity. A organização não-governamental Oxfam, ao comentar a decisão da OMC, disse que ela representa um "triunfo para os países em desenvolvimento e um golpe mortal para os injustos subsídios da UE para açúcar, que prejudicam as vidas dos agricultores pobres e os impede de ter a oportunidade de sair da pobreza".O diário Financial Times comenta que a OMC aumentou a pressão para que a UE promova profundas reformas em seu oneroso regime para açúcar ao concluir que os subsídios violam regras comerciais globais. O veredicto preliminar, segundo o jornal, deverá "fortalecer a posição dos países exportadores agrícolas que querem que as nações ricas concordem a aprofundar os cortes em seus gastos de apoio para a agricultura como parte da rodada de comércio mundial de Doha". O jornal norte-americano The New York Times afirma que o Brasil obteve o seu segundo triunfo em dois meses com a vitória. "O açúcar é uma das lavouras mais pesadamente subsidiadas da UE, e os apoios governamentais têm ajudado os produtores europeus a se tornarem os segundos maiores exportadores do mundo, atrás do Brasil, que também é o maior produtor mundial de açúcar", disse o NYT. O diário norte-americano observa que a decisão poderá também gerar uma nova onda de reclamações junto à OMC, que já tinha decidido a favor do Brasil no final de junho contra os subsídios que os Estados Unidos concedem a seus produtores de algodão. "Será muito interessante ver se o Brasil em particular vai usar suas vitórias legais no algodão, e agora no açúcar, para montar outros casos", disse ao NYT o especialista em comércio do Institute for International Economics de Washington, Gary Hufbauer. O jornal The Independent, observa que as ações das empresas britânicas de açúcar caíram ontem após a decisão da OMC. Segundo o diário britânico, embora o veredicto já estivesse sendo esperado, as ações da empresa Tate & Lyle cairam 2,3% e as da Associated British Foods, perderam 0,25%.

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