Vivendi aceita entrar em 'negociação exclusiva' com Vivo na venda da GVT

Oferta feita pela Telefônica Brasil chega a € 7,45 bilhões, parte em dinheiro, parte em ações da Vivo e parte em ações da Telecom Italia Mobile, da Itália; pelo menos por ora, TIM Brasil perde a disputa

Andrei Netto, O Estado de S. Paulo

28 de agosto de 2014 | 10h26

PARIS - O Conselho de Supervisão da gigante francesa Vivendi informou no início da tarde de hoje em Paris que entrará em negociações exclusivas com a Vivo, controlada pela Telefônica, pela venda da GVT no Brasil. A decisão representa um revés para a TIM, que disputava com a multinacional espanhola a compra da empresa-espelho que teve o melhor desempenho desde a privatização do Sistema Telebras, nos anos 1990.

As propostas das duas companhias telefônicas brasileiras, TIM e Vivo, pela GVT no Brasil haviam sido formalizadas aos diretores da Vivendi na quarta-feira, 28. Segundo comunicado da companhia francesa, a proposta da TIM previa € 7 bilhões, mas apenas € 1,7 bilhão em numerário. A maior parte seria paga em títulos da Telecom Italia Mobile, 16% do capital e 21,7% das ações com direito a voto, e da própria TIM Brasil, que repassaria à Vivendi 15% de suas ações. A oferta expiraria em 20 de setembro, mas foi considerada menos atraente pelos executivos de Paris. 

Já a oferta da Vivo soma € 7,45 bilhões, parte em numerário - € 4,66 bilhões -, e parte em ações da Telefônica Brasil, que lhe repassaria 12% do capital, e parte também em 5,7% do capital e de 8,3% das ações com direito a voto da Telecom Italia Mobile em poder da empresa espanhola. Essa oferta era mais urgente: expira nessa sexta-feira.

"Aos olhos da estratégia do grupo e no melhor interesse de seus acionários, o Conselho de Supervisão decidiu entrar em negociações exclusivas com a Telefônica", informou o comunicado distribuído pela Vivendi. A empresa destaca, porém, "a pertinência e a qualidade da oferta da Telecom Italia Mobile".

Ainda de acordo com o Conselho de Supervisão, "o desengajamento da GVT permitirá ceder a última empresa de telecom detida inteiramente pela Vivendi, após as vendas da Maroc Telecom e da SFR", diz a nota, que faz referência à número 2 do mercado francês.

"O preço proposto pela Telefônica foi considerado como particularmente atrativo, com um lucro de mais de € 3 bilhões", completa o comunicado. "As outras condições da oferta, limitando ao estrito mínimo o risco de execução da operação e os engajamentos de Vivendi após à venda, respondem igualmente aos objetivos de Vivendi."

A companhia francesa, que decidiu se recentrar na produção de conteúdo por meio de subsidiárias como a rede de TV paga Canal+ e o estúdio de cinema Universal, afirma que o acordo entre Telefônica e Vivendi "permitiria desenvolver projetos comuns na área de conteúdos e mídias" e que Vivendi, se quiser, "pode se tornar acionário da Telecom Italia comprometendo títulos brasileiros pelos italianos". "A oferta da Telefônica responde melhor aos objetivos estratégicos e financeiros do grupo", ressalta a empresa.

Tudo o que sabemos sobre:
telefoneGVTVivendiTelefônica

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.