Vivendi faz oferta de R$ 5,4 bilhões pela GVT

Acionistas da operadora brasileira precisam aprovar mudança no estatuto para proposta ser aceita

Renato Cruz, O Estadao de S.Paulo

09 de setembro de 2009 | 00h00

A Vivendi, grupo francês de comunicações e entretenimento, anunciou ontem uma proposta amigável de compra por 100% da GVT, operadora brasileira de telecomunicações. A empresa ofereceu R$ 42 por ação da companhia, o que avalia a empresa em R$ 5,4 bilhões. Ontem, os papéis da companhia fecharam cotados a R$ 36,26, com alta de 4,79%.

Segundo comunicado, a Vivendi assinou ontem um acordo com o Grupo Swarth e a Global Village Telecom Holland BV, maiores acionistas da operadora brasileira. A aquisição depende de algumas condições, como a aquisição de pelo menos 51% do capital da companhia.

Swarth e Global Village Telecom Holland concordaram em vender pelo menos 20% dos 30% que eles possuem na empresa. Eles também concordaram em votar a favor da dispensa do mecanismo de proteção contra dispersão da base acionária (também conhecido por "poison pill"), presente no estatuto social da empresa.

"É uma oferta justa", afirmou Luciana Leocádio, chefe de análise da Ativa Corretora. Segundo ela, se fosse respeitado o estatuto da empresa, a oferta mínima seria de R$ 47,50 por ação, o que equivale a 25% da maior cotação do papel nos últimos 12 meses. A meta de preço da corretora para a GVT era de R$ 38, e estava em revisão para cerca de R$ 40.

Luciana considerou "surpreendente" a proposta apresentada pela Vivendi. Segundo a analista, a surpresa não vem do fato de a GVT ser alvo de aquisição, mas de a oferta vir de uma companhia que ainda não opera telecomunicações no País, e logo depois de os controladores da GVT terem anunciado uma oferta secundária de ações. Por causa da acordo, os controladores decidiram cancelar a oferta secundária, anunciada em 19 de agosto.

"A experiência da Vivendi em conteúdo irá apoiar a GVT nos seus planos de entrar em novos segmentos de mercado, como IPTV", informou a Vivendi, em comunicado. Shaul Shani continuará como presidente do conselho da companhia e Amos Genish como diretor-presidente.

O lançamento da oferta depende de um processo de diligência legal da G VT pela Vivendi e da aprovação pelo conselho do grupo francês, o que deve acontecer até 16 de outubro.

A proposta ainda depende da aprovação do conselho da GVT, da dispensa da "poison pill" pelos acionistas da empresa em favor da Vivendi e da aprovação das autoridades regulatórias, o que deve acontecer antes do fim deste ano.

A GVT surgiu como competidora da Brasil Telecom e expandiu suas operações. Ela está presente hoje em mais de 80 cidades. Nos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo, ela só atende a clientes corporativos.

"Esse acordo com a GVT está de acordo com o objetivo estratégico da Vivendi de se expandir em economias com crescimento rápido", afirmou Jean-Bernard Lévy, presidente da Vivendi, em comunicado. "A GVT desenvolveu soluções inovadoras e originais em serviços de comunicações de banda larga e já apresenta resultados muito animadores. Estou entusiasmado de vir a trabalhar com Shaul Shani, Amos Genish e seu impressionante time gerencial."

"Nós trabalharemos próximos à Vivendi para reforçar a proposta de valor da banda larga da GVT, com uma melhora substancial de conteúdo", disse Shaul Shani, da GVT, em comunicado.

A Vivendi controla a Universal Music, a Activision Blizzard (empresa de videogames), a SFR (segunda operadora de telefonia da França) e o Canal+ (maior empresa de TV paga francesa). Ela também é dona da Maroc Telecom Group (maior operadora de telefonia do Marrocos) e tem 20% da NBCU (grupo americano de mídia e entretenimento). Em 2008, a Vivendi faturou 25,4 bilhões, com lucro líquido de 2,7 bilhões.

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