Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

‘Vivo de bicos: aceitei até um de pedreiro’

Cícero Sergio de Oliveira, de 50 anos, fala com entusiasmo da Metalúrgica Piratininga, empresa onde trabalhou por 10 anos e de onde foi demitido há um, numa das primeiras levas de cortes, quando a situação começou a se deteriorar no setor. “Certeza que ela vai se reerguer e voltar a ser o que era”, diz. 

O Estado de S. Paulo

24 Maio 2015 | 03h00

No último ano, a situação só piorou para ambos. Sem condições de se manter após sucessivos atrasos de pagamentos de construtoras que atendiam a Petrobrás, a empresa, uma das mais tradicionais em Pernambuco, pediu recuperação judicial. Oliveira, que é ajustador mecânico (faz o acabamento nas peças), amarga o desemprego. “Faço bicos do que aparece: eletricista, mecânico, pintor. Aceitei até um de pedreiro, que é uma função que não entendo lá essas coisas”, diz. 

Incentivado por anúncios e por amigos, chegou a tentar uma vaga na nova fábrica da Fiat, mas se desencantou: “Eles querem gente nova, cheia de energia, que aceita ganhar pouco e tenha cursos na área, como o de mecatrônica, que não é a nossa especialização.” No momento, faz o primeiro trabalho temporário naquilo que conhece: ajuda na produção de estruturas para uma usina de açúcar e álcool. “Recebi essa oportunidade e aproveito.”

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