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Você conhece o seu investimento?

Os agentes financeiros ganham dinheiro com taxas e spreads sobre as operações realizadas

Fábio Gallo, O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2021 | 05h00

No mundo ideal todo investimento busca pelo o equilíbrio entre risco e retorno, essa é uma máxima admitindo-se que o investidor decide aplicar o seu dinheiro de forma racional. Assim, os agentes financeiros devem oferecer uma variedade de produtos que permitam às pessoas fazerem as suas opções de acordo com os seus objetivos e o seu apetite a risco. Por seu lado, os agentes ganham dinheiro com taxas e spreads sobre as operações realizadas.

Quanto maior a sua base de clientes e maior volume de produtos financeiros vendidos maior o lucro. Perfeito. Tudo funcionando como deve ser. Bom, as coisas não são bem assim, a realidade se impõe de maneira que o final pode não ser feliz. Primeiro porque o mercado acaba dando espaço para as fraudes, pirâmides financeiras, gurus e outras situações que trazem prejuízos a muitas pessoas. Essas situações são caso de polícia. 

No entanto, o mercado pode trazer muitos prejuízos aos investidores pela falta de conhecimento sobre como os produtos financeiros funcionam e são estruturados. Mesmo no caso de negócios legítimos, produtos tecnicamente corretos muitas vezes são vendidos a investidores do varejo e que por falta de conhecimento entram em investimentos com maior risco relativo ao retorno prometido, e pior, acabam tendo prejuízos. 

Um tipo de investimento que chama a atenção são os COEs (Certificados de Operações Estruturadas). O COE é um produto que reúne renda fixa com renda variável. Uma operação que pode conter ações, locais e no exterior, moeda, derivativos, e outros ativos de forma diversificada, enfim uma construção de engenharia financeira que promete trazer ganhos e proteger capital ao mesmo tempo. 

Esse produto é oferecido em duas modalidades: Capital Protegido, quando o valor principal investido é garantido, e Capital em Risco, quando há possibilidade de perda até o limite do valor nominal investido. Embora tecnicamente bem construídos, não fica claro para o investidor todo o risco corrido, a despeito das lâminas desses produtos trazerem detalhes do investimento. Os cálculos financeiros envolvidos são complexos e o retorno esperado não é explicito. Essas contas os bancos sabem fazer, você não. Um estudo realizado por professores da EESP/FGV, denominado “O Retorno Esperado dos COEs”, publicado em outubro de 2020, conclui que nove em cada dez, dos 284 COEs pesquisados, foram vendidos com retorno esperado abaixo da taxa livre de risco.

Em outros termos, o investidor aplicou o seu dinheiro em uma aplicação financeira com retorno esperado abaixo do que poderia ser obtido no Tesouro Direto. Isto não decreta que o COE seja uma operação financeira ruim, mas como todos as outras opções de investimentos devem ser analisadas com cuidado e o investidor deve fazer sua opção de maneira consciente. Fica o alerta, pesquise sobre o que está sendo oferecido a você, tire todas suas dúvidas e somente invista quando estiver sabendo qual o retorno prometido e risco que vai correr.

* PROFESSOR DE FINANÇAS DA FGV-SP

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