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Você é o produto

Nunca houve tanta informação disponível. Deixamos rastros digitais do que fazemos na internet e, graças aos celulares inteligentes, também do que fazemos fora dela. A capacidade de analisar um volume cada vez maior de dados tem entusiasmado empresas, que se tornam capazes de traçar perfis mais precisos de cada consumidor e de fazer ofertas mais certeiras de produtos e serviços.

Renato Cruz, O Estado de S. Paulo

07 de junho de 2015 | 03h00

Mas as pessoas estão confortáveis com isso? Existe uma frase muito repetida quando se discute marketing digital: “Se você não paga por um produto, você é o produto”. Isso significa que, quando alguém usa gratuitamente uma rede social ou um serviço de busca, oferece em troca do serviço suas informações, e com isso pode ser vendido a um anunciante.

O modelo não é novo. A TV aberta e o rádio, por exemplo, sempre funcionaram assim, com a venda de audiência. A diferença é que as empresas de internet têm informações personalizadas de cada um de nós, e não existe muito controle do que é feito com esses dados.

Uma pesquisa da Universidade da Pensilvânia, divulgada semana passada, mostrou que os consumidores americanos sentem mais resignação do que entusiasmo por essa situação. Cinquenta e cinco por cento dos entrevistados consideram que não está tudo bem quando uma loja usa suas informações para traçar um perfil pessoal e melhorar o atendimento. Apesar disso, 65% aceitam que têm pouco controle sobre o que os profissionais de marketing podem aprender sobre eles na rede.

Todo mundo já teve uma amostra, ainda que rudimentar, do que é essa coleta de informações. É só visitar a página de um produto num site de comércio eletrônico que ele começa a pipocar em anúncios em várias das páginas visitadas depois. Essa prática, conhecida por “retargeting”, ainda é pouco inteligente, pois continua a mostrar até mesmo o produto que já foi comprado. Existem formas mais efetivas, que levam em conta informações de mais longo prazo sobre interesses e hábitos de consumo de cada um. 

Alguns aplicativos de celular parecem inofensivos, mas escondem seu objetivo verdadeiro que é coletar informações. Você baixa um aplicativo simples de lanterna ou calculadora, e não repara que, na instalação, ele pede permissão para acessar muitos dados, como localização, navegação na internet e agenda de contatos. Na verdade, o software é um espião, e opera legalmente porque foi autorizado a espionar.

As pessoas precisam ter mais controle sobre o que acontece com suas informações. O Ministério da Justiça tem uma consulta pública em andamento para elaborar o anteprojeto de Lei de Proteção de Dados Pessoais, que vai até 5 de julho. 

É importante ficar atento, para pagar com informações pessoais apenas serviços que realmente valham a pena.


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