'Você, menina bonita, que estava no Itaú...'

Na semana passada, uma rotineira ida ao banco virou mais um daqueles burburinhos nas redes sociais. O mineiro Bernardo Cunha estava na agência para pagar uma conta de telefone quando uma mulher atraiu sua atenção. Daí, surgiu um dos posts mais curtidos no Facebook nos últimos dias: "Você, menina bonita, que estava na agência do Itaú do Gutierrez hoje, às 14h, na fila do caixa. Vi que você olhou pra mim algumas vezes e você viu que eu olhei de volta. Só que você tava longe na fila e não dava pra puxar papo. Nem sou cara de pau assim. Mas, sério, eu queria muito saber quem você era."

, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2013 | 02h10

Essa história traz à tona uma nova questão no setor de marketing: a da inserção espontânea de marcas nos discursos das redes sociais. Bernardo publicou o post na segunda-feira passada e, em cerca de 24 horas, recebeu mais de 2 mil compartilhamentos. Foi considerado um "viral", termo usado para o conteúdo que se propaga de forma orgânica, sem a interferência da marca. O rapaz virou uma celebridade na cidade: sites, TV e rádio de Belo Horizonte queriam saber do garoto o que aconteceu no banco do bairro Gutierrez.

O Itaú, banco com o maior número de fãs no Facebook no mundo (6 milhões), republicou o post com a mensagem. E os comentários se multiplicaram na rede. "Achamos simpático e demos amplitude para a conversa, sem perder de vista que o protagonista era o cliente", diz Eduardo Tracanella, superintendente de marketing institucional do banco.

As chamadas "inserções" já são usadas há muito tempo pelas marcas. Um exemplo clássico é o da bola Wilson que aparece numa caixa do FedEx para o personagem de Tom Hanks no filme Náufrago. Com as redes sociais, nasceu uma nova modalidade de inserção, provocada pelo consumidor e de forma espontânea.

Basta ver as fotos com as bicicletas laranjas do próprio Itaú ou, num exemplo em escala global, a imensidão de copos de Starbucks compartilhados espontaneamente por milhares de clientes. Uma empresa que vasculha imagens nessas redes chegou a achar 8 mil copos em 24 horas de busca.

Essa situação, para o professor da USP Paulo Nassar, estudioso das narrativas nas novas mídias, mostra que todos os elementos relacionados a uma empresa (do produto ao espaço físico) podem virar narrativas virtuais - ou grandes eventos, dependendo da repercussão. "Existe mais vida nas empresas do que elas imaginam." Nassar diz que, no caso de Bernardo, a mensagem teve ainda um quê mitológico, já que o "amor" do rapaz é platônico. Ele não encontrou a moça do banco até agora. E isso aproxima ainda mais a história das pessoas./ NAYARA FRAGA

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