Você não é uma fraude!
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Você não é uma fraude!

Entenda como funciona a síndrome da impostora e o que fazer para que ela não atrapalhe o seu crescimento profissional

Dell, Estadão Blue Studio
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22 de outubro de 2021 | 08h00

Imagine-se em duas situações distintas: na primeira, você está prestes a realizar uma conquista profissional muito importante, por merecimento, daquelas de dar frio na barriga. O medo aparece, mas ele não te impede de seguir em frente. Como previsto, você se sai muito bem.

Agora, imagine-se vivendo esse mesmo momento, mas a sua insegurança é tanta que você acaba desistindo. Ou, pior: você segue, mas a todo instante acredita que alguém vai descobrir que você é inapta, que não é digna do seu sucesso.

Nesse segundo caso, você tem a síndrome da impostora, um fenômeno psicológico que afeta principalmente as mulheres. Como características, essa síndrome traz a perda de confiança em si mesma, a sensação de que todas as conquistas profissionais não são merecidas e de que, a qualquer momento, você será desmascarada como uma fraude. “Eu já sofri com esse problema. Mesmo muito qualificada para determinada função, não importava o quanto eu fizesse, nunca vinha a sensação de ser boa o suficiente. Por isso, eu decidi ir mais fundo e entender por que eu carregava esse sentimento de ser uma impostora”, conta a empreendedora e apresentadora Rafa Brites, que escreveu um livro sobre o tema, chamado “Síndrome da impostora: por que nunca nos achamos boas o suficiente”.

Apesar de os pensamentos acontecerem de maneira individual – é a própria mulher que “cria” essa ilusão de ser pior do que os outros ao seu redor –, esse fenômeno tem origens externas, sendo apenas mais uma consequência do patriarcado e do machismo estrutural. “As mulheres seguem tendo pouca representatividade no poder, no protagonismo em papéis de liderança. Por isso, em qualquer situação em que a mulher tenha a oportunidade de se destacar, ela não se sente pertencente àquele holofote. Ela acha que está deslocada daquilo, e daí é que vem a sensação de ser uma impostora, de que a qualquer momento vão descobrir que ela não merece estar ali”, explica Rafa.

O lado bom?

Segundo estudos recentes da pesquisadora Basima Tewfik, professora assistente de Estudos de Trabalho e Organização no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês), nos EUA, existe uma forma de olhar para essa síndrome de maneira positiva.

Até agora, sua pesquisa sugere que esse sentimento de estar se fazendo passar por alguém mais capaz do que se é pode não afetar negativamente a qualidade do seu trabalho. E mais: a insegurança geraria um esforço extra na comunicação, que resulta em habilidades interpessoais ainda melhores do que as dos colegas “não impostores”. 

Embora esse estudo traga uma visão bem disruptiva do que se sabe até agora sobre a desordem psicológica, na prática, quem já viveu situações em que ela aparece não relata boas experiências. “Faz sentido entender que a síndrome possa vir a ter um lado positivo, que seria esse cuidado ‘a mais’ para se sentir mais preparada para um desafio, mas tem um outro lado que causa o estresse mental, que posterga a possibilidade de você ser feliz”, diz Andrea Bisker, fundadora da Spark: Off, consultoria de inovação e tendências, e ainda conselheira no Aladas, projeto que encoraja mulheres a começarem seus próprios negócios.

Mostre quem você é

Autenticidade e vulnerabilidade são duas palavras que deveriam entrar no vocabulário de qualquer mulher que sofra da síndrome da impostora. “Ter a coragem de ser eu mesma foi o que me moveu. Não foi fácil abrir a minha empresa, me tornar empreendedora, sendo mulher e negra. Mas mostrar a verdade que está dentro de mim foi o combustível para que não existisse síndrome que me parasse”, conta Dilma Souza Campos, fundadora e CEO da Outra Praia, agência de live marketing.

Falar sobre o que sente com uma rede de apoio forte e se mostrar vulnerável é também uma outra saída encontrada por quem já passou por isso. “Quando uma mulher me procura e me conta que está trabalhando demais para se superar, é possível que ela esteja se autossabotando, e recomendo buscar um especialista”, explica Dilma.

Andrea prefere dividir a própria experiência. “A forma como eu ajudo mulheres acometidas por essa síndrome é contando que eu sofro dela. Uma parte do meu trabalho é dar palestras, e já fiz isso inúmeras vezes. Recentemente, eu estava supernervosa ao subir no palco e bateu aquele friozinho na barriga, aquela sensação de que iriam achar que eu sou uma fraude. E correu tudo bem. Depois, conversando com algumas mulheres que assistiram à palestra, fiz questão de contar como eu me senti no início, falar que convivo com essa insegurança e que aprendi a superá-la.”

Para Rafa, é preciso falar mais abertamente sobre a síndrome da impostora. “Temos que trazer essa questão à tona. Algumas pessoas acham que é mais um problema que estão criando para as mulheres, quando na verdade é a sociedade que precisa mudar.”

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