Vodafone pode vender fatia na Verizon

Grupo britânico tem 45% de participação na operadora norte-americana Verizon Wireless

BRIAN X. CHEN , MARK SCOTT , THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2013 | 02h05

A Vodafone, a gigante britânica das telecomunicações, confirmou que está negociando com a Verizon Communications a venda da sua participação de 45% na operadora de telefonia móvel Verizon Wireless, negócio que, segundo os analistas, vale pelo menos US$ 125 bilhões.

Com 100 milhões de clientes nos EUA, a Verizon Wireless é a maior operadora de celular do país. O capital da empresa é dividido entre a Verizon Communications e a Vodafone, que tem 45% de participação. Para a Verizon trata-se de uma aquisição há muito aguardada, considerada provavelmente uma das maiores da história. Com o controle total da operação, a companhia poderá incorporar integralmente os lucros e decidir sozinha o que fazer com o valor.

Em teoria, o controle da operadora deverá permitir que a Verizon integre ainda mais suas operações, o que poderá levar a empresa a oferecer pacotes conjuntos de serviços de comunicações fixos e móveis.

No curto prazo, os clientes da Verizon não deverão perceber diferenças. "O impacto do ponto de vista do consumidor será mínimo", afirmou Jan Dawson, analista de telecomunicações da consultoria Ovum.

Mas o motivo pelo qual a Verizon queria o controle total de sua divisão sem fios é evidente. O lucrativo setor de celular, que já vale US$ 1,6 trilhão, deverá se tornar um mercado de muitos trilhões de dólares na próxima década, segundo Chetan Sharma, analista independente que dá consultoria a operadoras.

Com 10 bilhões de conexões no mundo todo, o número de assinaturas de celulares deverá ultrapassar o da população humana. E isto porque, além dos celulares, outros aparelhos, como tablets, videogames e até mesmo sistemas de segurança doméstica, agora dependem das torres de celulares para transmitir informações.

A Verizon é a maior operadora de celular dos Estados Unidos, mas enfrenta uma formidável concorrência da segunda maior, a AT&T. As operadoras menores, Sprint e T-Mobile, oferecem planos para telefone e dados a um custo menor na tentativa de competir, mas sem grandes resultados - a AT&T e a Verizon têm 66% dos clientes.

A estratégia da Verizon tem sido investir na infraestrutura de rede a fim de atrair os clientes com a melhor tecnologia. Por exemplo, ela lidera a corrida em todo o setor para a construção de uma rede 4G mais rápida, com a tecnologia LTE.

A maior parte da receita da Verizon vem de sua operação móvel. No segundo trimestre, o faturamento total foi de US$ 29,8 bilhões, sendo US$ 20 bilhões com a telefonia celular.

Em geral, a Vodafone tem sido uma sócia invisível, embolsando sua parcela dos lucros. O relacionamento data das fusões das empresas de telecomunicações da década de 1990. A Bell Atlantic fundiu-se com a GTE, formando a Verizon Communications.

Durante anos, especulou-se que a Vodafone pretendia sair da companhia para se concentrar na operações europeias, mas o preço adequado e as implicações fiscais sempre impediram um acordo definitivo. / TRADUÇÃO ANNA CAPOVILLA

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