Voith desenvolve em SP nova máquina para celulose

Inteiramente projetado e desenvolvido na unidade paulistana do grupo, novo equipamento custará US$ 300 milhões

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

23 de outubro de 2010 | 00h00

A alemã Voith Paper desenvolve em sua unidade de São Paulo uma nova máquina para o setor de celulose que vai reduzir em 25% o gasto de energia na fase de secagem do produto. A construção do galpão que abrigará o equipamento começará em novembro, e a companhia prevê que apresentará a novidade aos fabricantes a partir de março do ano que vem. A expectativa do presidente global da Voith Paper, Hans-Peter Sollinger, que falou ao Estado em visita ao País nesta semana, é que o novo maquinário seja vendido por aproximadamente US$ 300 milhões.

De acordo com Sollinger, o investimento está diretamente ligado à expansão do mercado brasileiro de celulose: segundo a associação que reúne as indústrias do setor, a Bracelpa, os aportes de empresas e nacionais e multinacionais em novas fábricas e florestas deverá ficar perto da marca de US$ 20 bilhões até 2017. "O Brasil é claramente líder no setor de celulose, tem vantagens competitivas. O País já produz fibras de alta qualidade, ao preço mais baixo", disse o principal executivo da Voith Paper.

Sollinger disse ainda que o setor de pesquisa e desenvolvimento da Voith no Brasil tem um orçamento na casa de "dezenas de milhões de dólares" por ano. Ele afirma que a companhia trabalha em três frentes: a redução do consumo de energia, o uso da água nos processos produtivos e a produção de mais papel com uma menor quantidade de fibras - o que resulta em um melhor aproveitamento das florestas plantadas.

No caso da celulose, mercado de maior potencial no País, a Voith se concentra na secagem do produto. Porém, a sede paulistana do conglomerado também desenvolve produtos para a indústria de papel: no setor de tissue (papel higiênico, lenços e guardanapos, por exemplo), a planta desenvolveu um equipamento que reduz em 25% o custo de energia na fabricação de papel premium, exportado, e em 15% o consumo de fibras para variedades comuns, consumidas localmente.

Papel vs. celulose. Embora o Brasil caminhe para uma larga liderança em celulose, o mesmo não deve ocorrer com o papel. A demanda chinesa por papel, por exemplo, cresce entre 8 milhões e 9 milhões de toneladas ao ano. Isso quer dizer, de acordo com Sollinger, que a China expande ao ritmo de toda a produção anual brasileira atualmente.

Ele diz que, por isso, os mercados americano e europeu de papel perdem investimentos para a China, já que as fábricas seguem a demanda. "Por conta de custos logísticos, o papel tem de ser produzido o mais próximo possível de onde o consumidor está", explicou o executivo. No jargão do setor, diz-se que as decisões são tomadas com base no potencial percebido "ao redor da chaminé da indústria".

Dentro deste raciocínio, a produção brasileira de papel teria potencial para crescer à medida que o consumo interno e da América do Sul se expandir - não é um horizonte desprezível, mas está muito aquém da "coqueluche" chinesa. Em 2009, apesar da queda de 0,4% no volume, o Brasil ganhou duas posições no ranking mundial de papel, conforme dados da consultoria Risi. O País produziu 9,4 milhões de toneladas e ultrapassou concorrentes como França e Itália.

No caso da celulose, explicou Sollinger, o conceito é outro: a vantagem está na floresta. As árvores de eucalipto no Brasil crescem em ritmo 50% mais rápido do que as florestas europeias, por exemplo. "A celulose mostra que o futuro do Brasil está além do setor de óleo e gás", disse.

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