Volátil, Bovespa fecha em leve alta após cair mais de 3%

Bolsa virou perto da última hora de pregão, acompanhando recuperação dos índices norte-americanos

Da Redação,

13 de março de 2008 | 17h42

Wall Street ditou o bom e o mau momento desta quinta-feira na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Depois de tombar mais de 3%, seguindo a queda nos Estados Unidos por causa das notícias da Carlyle, a Bolsa doméstica virou perto da última hora de pregão, acompanhando a recuperação dos índices norte-americanos. Veja também:Com pessimismo, Bovespa abre em queda de 2,54% Governo anuncia medidas para conter queda do dólarFundo Carlyle Capital está perto do colapsoBCs atuam para ajudar mercado de créditoESPECIAL: Preço do petróleo em altaO sobe e desce do dólar Entenda a crise nos Estados Unidos   Veja os efeitos da desvalorização do dólar   A Bovespa fechou a quinta-feira em alta de 0,17%, aos 62.279,7 pontos, depois de oscilar entre a mínima de 60.168 pontos (-3,23%) e a máxima de 62.413 pontos (+0,38%). Com o desempenho de hoje, a Bolsa acumula queda de 1,90% no mês e de 2,51% no ano. O volume financeiro negociado hoje totalizou R$ 5,953 bilhões. Em Nova York, a Dow Jones fechou com alta de 0,29% e a Nasdaq subiu 0,88%. Os mercados começaram a reagir depois que um relatório da Standard and Poor's (S&P) sugeriu que se pode ver um fim das perdas financeiras dos bancos com as operações subprime (crédito imobiliário com risco de calote). Isso reduziu o nervosismo provocado pela notícia de que o fundo Carlyle Group estaria entrando em colapso. O fundo, que é administrado pela empresa de private equity Carlyle Group, não conseguiu chegar a um acordo de refinanciamento com seus credores e alertou que isso pode levar à tomada e liquidação de seus ativos. A notícia anulou de vez todo o otimismo do começo da semana, quando o banco central dos Estados Unidos (Federal Reserve) anunciou uma ação conjunta com outros bancos centrais, a fim de injetar mais recursos na economia. Nesta quinta, o Fed voltou a falar em mais empréstimos e já marcou para sexta-feira uma reunião com os principais bancos distribuidores de recursos (dealers) uma reunião para discutir um novo programa de empréstimos. O tom pessimista foi reforçado pelos dados de vendas no varejo nos Estados Unidos. Inesperadamente, houve queda nas vendas em fevereiro. Os investidores também acompanharam os dados sobre pedidos de auxílio-desemprego, já que consideram que se as pessoas não estão trabalhando, certamente não estão gastando muito dinheiro. Os pedidos se mantiveram em níveis elevados na semana passada, sugerindo que o enfraquecimento do mercado de trabalho continua em março, afirmam analistas. Ou seja, são dois dados da economia norte-americana que reforçam o temos de que a economia do país passa por um período de forte desaquecimento econômico, o que é ruim para a economia de todos os países. O fato é que o tamanho da crise americana é a grande preocupação dos investidores. Neste cenário, eles correm para ativos mais seguros, como as moedas de países com economia sólida. E ainda para a compra de commodities, como o petróleo. O resultado disso é mais um dia de recorde do preço do petróleo. O barril do produto chegou a ser vendido a US$ 111. É o quarto pregão consecutivo que o petróleo bate uma nova máxima histórica. Além disso, pela primeira vez desde 1995, o dólar chegou a ser cotado abaixo de 100 ienes. Mais cedo, o ouro (à vista) e o contrato de ouro para abril superaram a marca de US$ 1.000. Influências internas O mercado também não gostou do tom pessimista da ata do Copom divulgada na manhã desta Quinta. O documento sinalizou que os membros do Comitê cogitaram a possibilidade de alta dos juros. Isso por causa das projeções de inflação, que começam a divergir da meta, diante de um cenário de descompasso entre oferta e demanda, investimentos em capacidade produtiva que demoram a se materializar, além do aumento dos riscos de inflação global. O pacote com medidas para reduzir a queda do dólar frente ao real também mexeu com os negócios, já que elas foram anunciadas após o fechamento dos mercados na quarta. O governo anunciou que vai taxar o capital especulativo de curto prazo. Na expectativa de uma entrada menor de dólares no País, o dólar subiu no mercado interno. Contudo, esta deve ser uma reação limitada, já que o dólar deve continuar em queda no Brasil, assim como está em relação a outras moedas, como o euro e o iene.  Vale destacar que, caso o Copom suba a taxa básica de juros, como sinalizou a ata do Copom, a arbitragem (diferença entre o juro interno e o externo) pode atrair mais investidores para o País. Com isso, a entrada de dólares aumenta e a cotação da moeda norte-americana pode cair ainda mais, mesmo com as medidas cambiais adotadas pelo governo.

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