Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Volátil, dólar custa até R$ 3,98 para os turistas

Moeda dos Estados Unidos tem quinta alta consecutiva pressionada pelo cenário externo com juros dos EUA e fecha a R$ 3,486, alta de 0,45%

Gabriel Roca, O Estado de S.Paulo

25 Abril 2018 | 21h25

A alta do dólar turismo nos últimos dias tem atrapalhado a vida de quem vai viajar para o exterior. Nos bancos e casas de câmbio de São Paulo, o preço da moeda para quem opta por levar o dinheiro em um cartão de viagem chegou a R$ 3,98, nesta quarta-feira, 25. O valor médio cotado em quatro empresas da capital paulista para a moeda em espécie foi de R$ 3,69.

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O dólar comercial fechou o dia cotado a R$ 3,486, alta de 0,45%. É o quinto dia de valorização da moeda frente ao real, um reflexo do temor de que os juros americanos subam mais rápido do que o previsto. Com isso, há atração de recursos globais para os Estados Unidos, o que gera uma valorização da divisa americana. Analistas têm dito que a volatilidade do mercado de câmbio deve se manter até as eleições.

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Em abril, enquanto o dólar comercial subiu 5,53%, o dólar turismo teve uma variação ainda maior, de 6,52%. Para Mathias Fischer, diretor de estratégia e inovação da startup Meu Câmbio, neste cenário atual, de alta da moeda, uma dica para quem precisa comprar dólares é fracionar a compra em intervalos regulares.

“Se você vai fazer uma viagem e precisar de 3 mil dólares, é bom fazer compras de 500 dólares em intervalos regulares. Dessa maneira, você dilui os riscos de fazer um negócio ruim em um único dia e vai ter uma taxa média no final”, aconselha.

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É a mesma recomendação de Alexandre Fialho, diretor da Cotação. Segundo ele, com a volatilidade do dólar, o fluxo de clientes que ligou para a casa de câmbio ou buscou informações no site subiu 50% nesta semana. 

O administrador de empresas, Marcelo Ambrosio, viajou para Boston na última terça-feira, a turismo. Por sorte, segundo ele, decidiu comprar os dólares no início do mês de março, mais de um mês antes da viagem. “Fiquei aliviado quando vi a cotação nesta semana”, conta.

Já para a gerente de recursos humanos, Patricia Alvares Moreira, a situação foi a oposta. Antes de viajar a trabalho, para Nova Orleans, comprou pequena parte dos dólares que iria necessitar para a viagem. Já nos Estados Unidos, comprou hoje o restante do dinheiro necessário, via um aplicativo de transferências bancárias. Ela conta que, em poucos dias, teve um prejuízo de cerca de 2% do montante total que iria adquirir.

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A comerciante Sandra Ferreira foi pega de surpresa com o aumento do dólar nos últimos dias. Com uma viagem marcada para os Estados Unidos no fim do próximo mês, ela esperava uma desvalorização da moeda com o cenário político que se desenhava antes da prisão do ex-presidente Lula. A expectativa não se concretizou e ainda sem ter comprado os dólares, ela afirma que vai aguardar até a hora da viagem para ver se os preços melhoram.

Diferença. O dólar comercial é utilizado por empresas, bancos e governos para operações no mercado de câmbio, como transferências financeiras, exportações, importações, entre outros.

Já o dólar turismo é utilizado para viagens, transações de turismo no exterior e débitos em moeda estrangeira no cartão de crédito. Ele é mais caro pois é calculado com base no dólar comercial mais os custos das casas de câmbio com questões logísticas, administrativas e com seguro em caso de roubo, uma vez que as transações com dólar turismo são feitas em “dinheiro vivo”. Já as transações com dólar comercial são feitas de forma eletrônica.

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