Amanda Perobelli/Reuters
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Volatilidade assusta e cotista já resgata aplicações de fundos de investimento

De acordo com boletim da Anbima, retiradas já somam R$ 1,88 bilhão em abril até o último dia 9; recomendação é que investidores procurem seus gerentes antes de agir

Ernani Fagundes, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2020 | 07h00

A volatilidade nos ativos de renda fixa e de ações em março e no início de abril assustou uma parte dos cotistas de fundos de previdência que não esperavam por perdas em suas aplicações. De acordo com dados do boletim diário de fundos de investimentos da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), o resgate líquido em fundos de previdência atingiu R$ 1,88 bilhão em abril até o último dia 9.

Na subcategoria Previdência Ações, o resgate alcançou R$ 608,4 milhões nesse curto período, sendo: saída de R$ 534,1 milhões das carteiras Previdência Ações Indexados, que acompanham índices da bolsa de valores e resgate de R$ 74,3 milhões de carteiras de Previdência Ações de gestão ativa.

Na subcategoria Previdência Renda Fixa, a retirada de recursos alcançou R$ 1,19 bilhão, que só não foi maior porque clientes migraram das carteiras Previdência Renda Fixa Indexados para portfólios de Previdência de Duração Baixa e Risco Soberano, concentradas em títulos públicos de menor volatilidade. Já em subcategorias pouco conhecidas, como Previdência Balanceados (-R$ 68 milhões) e Previdência Multimercados (-R$ 12 milhões), as retiradas foram menores.

“Muitos investidores entraram em determinados fundos de previdência quando a rentabilidade estava positiva. Mas com a volatilidade esse público se assustou e decidiu resgatar, pois não conhecia bem seu perfil de investimento. É um comportamento bem diferente do que ocorreu com os fundos de ações, cujo público mais experiente não só manteve suas aplicações como estamos registrando captação líquida”, afirma André Fernandes, head de produtos da Ágora Investimentos.

No ano até o dia 9, as carteiras de previdência renda fixa indexadas, principal referenciadas no Ima-B, o índice da Anbima que acompanha papéis de inflação atrelados ao IPCA, apresentam queda de 2,31%, enquanto os fundos de previdência de renda fixa de duração baixa e risco soberano mostram ganhos de 1,12%. Já os fundos de previdência com ações registram perdas de 32,19%, e as carteiras de previdência ações de gestão ativa mostram perdas de 30,53% na mesma base de comparação.

Questionado sobre a busca de liquidez por parte dos cotistas, Fernandes respondeu que o público de classe média ainda mexeu em suas reservas financeiras. “O público de classe média não buscou reservas por causa da quarentena, mas se a situação persistir por muito tempo, haverá resgates. Mas quem está sem renda vai começar a resgatar em duas ou três semanas. As retiradas que estamos observando atualmente são mais relacionadas a questão da volatilidade nas cotas”, diz.

Procure seu gerente

Para Marcelo Romero, diretor de investimentos da Magnetis, a recomendação é que os cotistas de fundos de previdência (VGBL e PGBL) procurem seus consultores e gerentes de investimentos antes de optarem por um resgate. “Por causa da questão tributária, a previdência deve um dos últimos produtos em que se deve sacar. O ideal, na necessidade de liquidez, é utilizar a reserva de emergência, que geralmente está numa aplicação bem conservadora (poupança, CDB, fundo DI)”, afirma.

Romero lembra ainda que fundos de previdência multimercados possuem prazo de resgate de 60 dias. “Nessa categoria, o prazo é maior. E vale sempre lembrar que o investimento em previdência é para o horizonte de longo prazo”, diz. Também questionado sobre o volume de retiradas nos planos VGBL e PGBL, Romero argumentou que o brasileiro, em geral, trata o investimento em Previdência como algo seguro. “O sentimento acaba sendo o mais conservador”, afirma.

Ele também prevê que devido a paralisia da atividade econômica e a busca por liquidez, que provavelmente, o segmento irá mostrar mais resgates num futuro próximo se a situação se agravar por causa da pandemia do novo coronavírus. “Isso já está acontecendo dentro dos fundos de renda fixa tradicional, investidores migrando para liquidez diária”, conclui.

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