José Patrício/Estadão
José Patrício/Estadão

Volatilidade cambial atrai investidor de curto prazo para o minicontrato de dólar

Negociação diária bateu recorde na semana passada; valor para investimento inicial é baixo e taxas são menores que as do mercado de ações

MARIANA CONGO, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2015 | 02h05

O minicontrato de dólar desponta entre as vedetes dos investimentos no mercado futuro da BM&FBovespa. Na terça-feira da semana passada, o produto bateu mais um recorde: foram 162 mil minicontratos negociados em um único dia. Na comparação entre o primeiro trimestre de 2014 e os mesmos três meses deste ano (mesmo antes do fechamento de março), o volume negociado já cresceu quase três vezes.

O minicontrato tem atraído o investidor com foco no curtíssimo prazo, que faz operações que começam e terminam no mesmo dia (day trade, no jargão do mercado). Uma parcela pequena é de pessoas que farão uma viagem para o exterior e querem tentar se proteger da incerteza do câmbio.

A volatilidade do dólar e sua tendência de valorização são percebidas como boas oportunidades para ganhos em minicontratos. Neste produto, o investidor aposta em um cenário de alta ou queda do dólar. Se for bem sucedido, ganha a variação cambial do período. Do contrário, perde. "Chamamos isso de ajuste diário da posição. Diariamente, a Bolsa credita os lucros ou debita as perdas na conta que o investidor tem na corretora", explica o professor do Instituto Educacional BM&FBovespa Alexandre Cabral.

Margem inicial. O baixo custo exigido para começar em minicontrato e as taxas menores do que as cobradas pela Bolsa no mercado de ações são atrativos.

O prefixo "mini" tem motivo. Cada minicontrato de dólar representa US$ 10 mil - menor que o contrato tradicional (US$ 50 mil). O lote padrão para se negociar um contrato normal é cinco, o que faz o valor financeiro subir muito e deixa o produto inacessível para pequenos investidores. Já no minicontrato, não há exigência mínima.

Como se trata de uma operação no mercado futuro, não é preciso ter os US$ 10 mil, mas somente a margem de garantia, usada pela corretora para o ajuste diário com a Bolsa. Para operações no day trade, as corretoras exigem um depósito em torno de R$ 200. Já para quem vai adotar a estratégia de esperar o vencimento, a margem necessária chega a R$ 4 mil.

"No último ano e meio aumentou muito a negociação de minicontrato de dólar. O produto começou a ter maior liquidez e dar bons retornos. Antes, todo mundo que operava minicontrato vinha migrado de ações. Mas hoje tem muita gente chegando direto no minicontrato", diz o analista da corretora Rico, André Moraes.

Risco. Antes de se aventurar, é válido que o investidor conheça bem os riscos da renda variável. E saiba a regra de ouro do dólar: o mercado de câmbio é sempre imprevisível. "O minicontrato tem atraído o perfil mais jovem de investidor, com até 35 anos. Mas é preciso buscar informação. A análise gráfica ajuda. Não adianta querer entrar na Fórmula 1 sem antes nem ter tirado carteira", diz o analista-chefe da Walpires Corretora, Leandro Martins.

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