Jose Luis Magana/AP
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Volatilidade das moedas da América Latina pode subir ainda mais com decisão do Fed, diz FMI

A diretora-gerente do Fundo, Christine Lagarde, disse ainda que políticas implementadas em países da América Latina têm como objetivo restaurar a confiança

Altamiro Silva Junior, correspondente, O Estado de S. Paulo

29 de julho de 2015 | 12h10

NOVA YORK - A volatilidade das moedas da América Latina aumentou nas últimas semanas e pode subir ainda mais com a elevação de juros nos Estados Unidos, disse a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde.

O Federal Reserve (Fed) decide e anuncia hoje a taxa básica de juros nos Estados Unidos, dando novos sinais sobre quando iniciará o aperto monetário no País. A expectativa é que o Fed prepare o terreno para começar a elevar, a partir de setembro, os juros básicos das mínimas em que se encontram desde o fim de 2008. Quando isso acontecer, o dólar deverá subir em mercados emergentes, uma vez que investidores devem buscar rentabilidade e segurança nos EUA.

"Políticas que estão sendo implementadas na região, quando você olha Brasil, Peru, Colômbia, têm como objetivo melhorar a situação, restaurar a confiança, buscar uma base fiscal sólida, reconstruir colchões", disse Lagarde ao comentar as perspectivas para a América Latina em uma entrevista pela internet nesta quarta-feira, 29.

Lagarde frisou que os países da América Latina são diferentes, mas todos são fornecedores de commodities para a economia mundial, sobretudo para a China, que está enfrentando uma desaceleração da atividade econômica. "Claramente estes países perderam os benefícios de uma década de altos preços das commodities, que foi um combustível para o crescimento da região por muitos anos", afirmou ela.

A diretora-gerente do FMI afirmou ainda que não vê a América Latina como um todo em recessão este ano e as coisas devem melhorar um pouco no ano que vem. A previsão do FMI é de crescimento de 0,5% para 2015 e de 1,7% em 2016.

Emergentes. Questionada sobre se os emergentes estão mais bem preparados para lidar com a alta de juros nos EUA, que não sobem desde 2006, Lagarde afirmou que sim. Ela lembrou que a turbulência causada no mercado financeiro mundial quando o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) pela primeira vez sinalizou que mudaria a política monetária no país, em meados de 2013,  ajudou a preparar os mercados para a elevação das taxas. "Todo mundo aprendeu com aquele episódio." A própria presidente de Fed, Janet Yellen, reconheceu os potenciais contágios da elevação dos juros, disse Lagarde. 

Ao mesmo tempo, Lagarde avalia que os riscos para os emergentes cresceram. Ela citou, entre estes riscos, a queda dos preços das commodities, que afeta os países exportadores.

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