Volatilidade cambial provoca alta do spread, diz estudo

O spread bancário brasileiro (diferença entre taxa de captação e de empréstimo dos bancos) seria 11,4% menor se a volatilidade cambial no País fosse a mesma verificada no México e 14% inferior se o ambiente legal no Brasil fosse do mesmo nível do Chile. É o que mostra o estudo "Spread bancário e volatilidade cambial", do economista do Banco Central Leonardo Alencar, em parceria com Daniel Leite, do Banco do Brasil, apresentado hoje durante o 3º Seminário sobre Riscos, Estabilidade Financeira e Economia Brasileira, promovido pelo BC, em São Paulo.O estudo mostra que uma acentuação na volatilidade cambial provoca uma elevação no spread bancário. "Uma elevação na volatilidade cambial aumenta os custos de intermediação financeira", explica o artigo. Além disso, o documento aponta que quanto melhor for o ambiente legal e o sistema judiciário, menor será o spread. "Reformas judiciais que levem a um melhor cumprimento dos contratos legais são importantes para reduzir o custo da intermediação financeira", diz.De acordo com Leonardo Alencar, um ritmo mais elevado de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) também está associado a spreads menores. "Quando um país cresce mais, suas empresas estão se capitalizando mais. Existe essa correlação. E capitalizar-se mais faz com que o risco dos empréstimos diminua", explicou. Outro ponto destacado pelo economista é que a taxa básica de juros também está relacionada a spreads mais elevados. O estudo mostra ainda que a concentração bancária não parece estar relacionada com o grau de competição entre os bancos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.