Volatilidade de ativos financeiros é a menor dos últimos 30 anos

Um estudo publicado nesta sexta-feira pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês) mostra que entre meados de 2004 e março deste ano, a volatilidade nas taxas de juros de curto e longo prazo, mercados acionários, taxas de câmbio e spreads corporativos foi no geral mais baixa do que nos dez anos anteriores, tanto nos países industrializados como nos mercados emergentes. O "banco central dos bancos centrais" observa que há duas ou três décadas houve também períodos de baixa volatilidade, mas não simultaneamente em quase todos ativos financeiros e tampouco por um período tão prolongado em tantos mercados diferentes.Segundo o BIS, os mercados emergentes estão vivendo uma volatilidade extremamente baixa em termos históricos. Por exemplo, a volatilidade num portfólio igualmente balanceado que inclui índices acionários do Brasil e Coréia do Sul - dois emergentes com bolsas de valores fortes - é hoje a mais baixa de sua história. "Na verdade, é preciso retornar ao começo de 1999, quando o governo brasileiro permitiu a livre flutuação do real, para se encontrar o último episódio de volatilidade alta nesses mercados", disse.O estudo explica que vários fatores, macroeconômicos e estruturais, podem estar causando essa menor oscilação nos ativos. Entre eles, o atual ciclo de crescimento e inflação baixa na economia mundial e a ação mais eficiente dos bancos centrais.Mas será que essa tendência vai continuar? Segundo o BIS, algumas mudanças estruturais ocorridas nos últimos anos, como o fortalecimento dos mercados financeiros e a ação preventiva das autoridades monetárias, poderão ter um efeito permanente na redução da volatilidade. "Entretanto, fatores conjunturais também tiveram um peso, sugerindo que parte da redução da volatilidade poderá ser revertida no futuro", disse. Por exemplo, uma desaceleração da economia mundial - que é dada como certa pela maioria dos analistas - poderá gerar uma maior volatilidade. "Os mercados financeiros parecem concordar com a visão de que a redução na volatilidade é, em parte, temporária", disse o BIS.

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